OPINIÃO

Conjuntura Internacional

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O BRICS virou um bloco que fala muito e entrega pouco. Ele nasceu como promessa de peso econômico, ganhou musculatura política por oportunismo e, hoje, sobrevive como um palco diplomático. Um palco útil para regimes que precisam de narrativa. Só que narrativa não substitui poder. E o poder, no mundo real, segue concentrado onde sempre esteve: nos EUA e em seus aliados. O Brasil escolheu se agarrar a essa fantasia. Pior: escolheu fazer isso em plena reorganização da hegemonia americana. A paz de hegemonia voltou com força. Ela já vinha existindo, mas agora está sendo conduzida com método, pressão econômica, sanções e reposicionamento de alianças. O Brasil, em vez de ler esse cenário com pragmatismo, segue fixo em cooperar com ditaduras, como vimos na recente visita de uma comitiva russa ao país. Isso não é estratégia. Isso é ideologia. E ideologia custa caro.

Um bloco que virou ruído

O BRICS é um agrupamento sem unidade, sem coerência e sem direção. A Rússia está afundada em um problema que ela mesma criou: uma guerra ilegal contra a Ucrânia. A prioridade russa é sobreviver. Não é liderar nada. A China, por sua vez, tem uma agenda clara: Taiwan. Pequim está concentrada em tecnologia, dissuasão militar e controle de cadeias produtivas. Ela não está preocupada em "salvar" o Sul Global. Ela quer ampliar influência e reduzir riscos. E a Índia? Modi entendeu o jogo. Ele busca alinhamento com os EUA, e isso inclui recuar na compra de petróleo russo. Não é por moral. É por cálculo. A Índia quer acesso a tecnologia, semicondutores, investimentos e cadeias industriais. Ela pensa em potência. O Brasil pensa em discurso. O resultado é óbvio: cada membro do BRICS segue seu próprio caminho. O bloco virou ruído. E ruído diplomático não gera prosperidade.

A fantasia da moeda e o delírio anti-dólar

A ideia de uma moeda do BRICS para substituir o dólar é um delírio. O dólar não é só moeda. Ele é sistema. Ele é liquidez, mercado financeiro profundo, previsibilidade jurídica, poder militar e capacidade de sanção. Quem acha que se substitui isso com "declaração conjunta" está brincando de geoeconomia. O BRICS não tem banco central comum, não tem política fiscal coordenada, não tem unidade de interesses, não tem estabilidade institucional compartilhada. O que ele tem é ressentimento. E ressentimento não paga importação, não reduz risco e não sustenta investimento. Essa conversa serve para consumo interno, para militância internacional e para propaganda anti-Ocidente. Na prática, ninguém sério estrutura comércio global com base em slogans.

BRICS como Foro de São Paulo 2.0

Eu costumo dizer que o BRICS virou o Foro de São Paulo 2.0. Um espaço de convergência retórica entre governos que precisam de inimigos externos para justificar fracassos internos. O Brasil, ao se alinhar a essa lógica, abre uma rota de colisão com os EUA, com a Europa e com o próprio mundo do capital. Lula confunde política externa com militância. Troca interesse nacional por aceno a ditaduras. E isso já está nos isolando. O Brasil perde relevância, perde credibilidade e perde poder de barganha. O BRICS, por sua vez, perde influência porque nunca foi um bloco de governança. Foi um bloco de narrativa. O fim do BRICS é o fim de uma ilusão. E o mundo, hoje, tem cada vez menos paciência para ilusões.

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