Michel Eyquem de Montaigne (1533-1592)
Michel de Montaigne foi um escritor, filósofo e humanista francês do Renascimento, amplamente reconhecido como o criador do gênero “ensaio pessoal”. Sua obra mais célebre, Ensaios (1580), inaugura essa forma literária ao transformar a experiência individual em matéria legítima de reflexão filosófica. Nela, Montaigne realiza uma investigação profunda da condição humana e das complexidades morais, políticas e culturais da vida. Ele viveu durante as Guerras de Religião na França, uma série de conflitos sangrentos entre católicos e protestantes que devastaram o país. Estima-se que entre dois e quatro milhões de pessoas tenham morrido ou sido deslocadas. Esse ambiente de fanatismo e violência moldou decisivamente sua postura de tolerância, moderação e ceticismo.
Os livros para Montaigne
Montaigne nutria um amor profundo pelos livros. Nos últimos anos de sua vida, retirou‑se para a torre de seu castelo, onde passou a maior parte do tempo dedicado à leitura e à escrita. Para ele, os livros eram companheiros constantes, presentes em todas as circunstâncias de sua existência. Consolavam-no na velhice e na solidão, suavizavam a ociosidade, afastavam pessoas inoportunas e aliviavam dores que não fossem demasiado intensas. Ele dizia que recorrer aos livros era a melhor maneira de dissipar pensamentos desagradáveis: eles o absorviam por completo e o faziam esquecer suas inquietações. Montaigne os apreciava com o mesmo zelo com que um avarento guarda seu tesouro — não apenas pelo uso imediato, mas pelo simples fato de saber que podia voltar a eles sempre que desejasse.
Livros são a melhor provisão para a viagem que é a vida
“Nunca viajo sem livros”, escreveu Montaigne. Ele dizia que apenas o pensamento de tê‑los por perto já lhe trazia descanso, e que, ao longo da vida, sempre lhe foram úteis. Considerava-os a melhor provisão para essa longa viagem que é a existência humana, e lamentava sinceramente que pessoas inteligentes não os tivessem como companheiros. Recordando sua juventude, Montaigne observava que, quando moço, estudava para brilhar; mais tarde, para alcançar sabedoria; e, na velhice, lia sobretudo para se distrair, sem buscar proveito imediato.
Prazer da leitura
Montaigne confessava que, por vaidade, gastara muito com livros — não apenas para suprir suas necessidades, mas também pelo prazer de ver sua biblioteca crescer. Com o tempo, dizia ele, esse impulso se acalmou. Em casa, Montaigne passava a maior parte do tempo em sua biblioteca. Ali folheava um livro e depois outro, sem ordem rígida, sem objetivo definido, guiado apenas pelo gosto do momento. Essa liberdade de leitura — fragmentada, errante, prazerosa — era, para ele, uma forma de viver e pensar.
A importância de ler
Montaigne mostra que os livros são verdadeiros tesouros que enriquecem a vida. São fontes de conhecimento que ampliam nossa visão de mundo, revelam outras culturas e ideias e fortalecem a empatia e a compreensão. Estimulam o cérebro, aprimoram memória, concentração e raciocínio. Um bom livro alivia o estresse ao nos afastar das preocupações diárias e desperta a criatividade ao nos transportar para outros mundos. Também divertem, conectam-nos ao passado e ajudam a compreender melhor o presente. E lembram algo essencial: o mundo não começou conosco — existia muito antes de nascermos.


