OPINIÃO

O semeador saiu a semear.

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O capítulo 13 de São Mateus contém oito parábolas sobre o Reino dos Céus. Elas nos conduzirão na liturgia dominical nos próximos domingos (Isaías 55,10-11, Salmo 64(65) Romanos 8,18-23 e Mateus 13,1-23). Em primeiro lugar, nos admiramos do método da pregação de Jesus. A metodologia, por si só, já é um ensinamento. Jesus usa as parábolas como nenhum mestre fez. As parábolas que sempre partem de algo muito conhecido para algo ensinar algo desconhecido, isto é, conduzem ao mistério de Deus. Elas nos fazem ver com mais profundidade. As parábolas revelam como Deus lê a realidade e como seu ensinamento é acolhido no mundo.

A célebre parábola do Semeador, deste domingo, tem por cenário o mar, o barco e as multidões. O evangelista registra que uma grande multidão se reuniu ao redor de Jesus, “Por isso Jesus entrou numa barca e sentou-se, enquanto a multidão ficava de pé, na praia”. Esta observação acentua novamente a metodologia de Jesus. Em respeito às multidões que desejavam ouvi-lo, como também à Palavra a ser ensinada era necessário criar um ambiente externo favorável. Os ouvintes precisam ser respeitados para que tivessem condições de ouvir e assim poderem responder consciente e livremente ao que lhes é ensina. Do mesmo modo, o que Jesus queria ensinar era muito importante. Jesus sempre quis que os discípulos entendessem claramente o que lhes estava sendo proposto.

Na parábola, o semeador lança as sementes com generosidade. Elas caem nos mais diferentes lugares. Não existe um pré-juízo onde semear. Naturalmente, nem todas as sementes vão germinar, nem se desenvolver e dar frutos. Diante da inquietação dos discípulos sobre o significado da parábola, o próprio Jesus explica. A semente é a Palavra de Deus. O semeador é Ele, Jesus Cristo o próprio Deus. A terra são as pessoas e cada uma delas acolhe ou não a Palavra, cada pessoa vive uma situação muito diversa. Em muitas delas, a Palavra não se desenvolve porque vem o “Maligno” que rouba o que foi semeado.

A explicação da parábola revela o quanto Deus respeita a liberdade humana. Jesus conta a parábola para atrair os ouvintes e os estimular a ouvir os ensinamentos e ver os sinais de Deus. Deus não obriga a crer, mas quer atrair a ele com a Verdade e a bondade. Ao mesmo tempo que respeita a livre adesão, também ajuda os ouvintes a se darem conta do “Maligno” que vai sufocando e impedindo de ouvir e ver o que vem de Deus.

A parábola indica que parte das sementes se perdem, porém, ela mostra a potencialidade da semente e da abundância da colheita. Diante da pressa que temos, ainda mais em tempos onde o espaço e o tempo desaparecem no mundo virtual, ficamos angustiados se a semente semeada não segue o ritmo que desejamos. Como sabemos, mesmo uma semente guardada por muitos anos em condições favoráveis, quando lançada na terra germina. Assim também a Palavra escutada pode produzir frutos quando menos esperamos e muitos anos depois.

Esta convicção é manifesta por Deus no livro de Isaías: “Assim como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam mais, mas vêm irrigar e fecundar a terra, e fazê-la germinar e dar semente, para o plantio e a para a alimentação, assim a palavra que sair de minha boca: não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la”.

Não cabe a nós decidir onde semear ou estabelecer a data e a quantidade da colheita. Mas é preciso seguir o exemplo de Jesus semeando a boa semente da Palavra em todos os lugares e em todos os tempos. Fazer isto é sinal de fé no poder da Palavra e esperança no tempo de Deus.

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