OPINIÃO

O RS NÃO PODE DEIXAR DE EXPLORAR ESSA RIQUEZA

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Existe uma riqueza escondida debaixo dos nossos pés que o Rio Grande do Sul não pode simplesmente ignorar.

Nas regiões de São Gabriel e Dom Pedrito, na Campanha Gaúcha, existem ocorrências de folhelhos oleígenos associados à Formação Irati, rochas que preservaram matéria orgânica durante milhões de anos e que podem apresentar potencial para produção de óleo, gás e outros produtos de interesse industrial.

Esse potencial não é uma descoberta recente, estudos realizados ao longo das últimas décadas já apontaram volumes expressivos de óleo potencialmente recuperável na região e são estimativas antigas, que precisam ser atualizadas, mas que demonstram uma coisa importante: existe um patrimônio geológico que merece ser novamente estudado.

E aqui está a grande questão: por que o Rio Grande do Sul ainda não transformou esse potencial em uma grande agenda de pesquisa, tecnologia e desenvolvimento?

Não estou defendendo uma exploração irresponsável, estou defendendo conhecimento, precisamos conhecer profundamente essas reservas: profundidade das camadas, extensão, composição química e mineralógica, teor de matéria orgânica, rendimento em óleo e gás, presença de contaminantes e, principalmente, quais tecnologias poderiam permitir seu aproveitamento de maneira economicamente viável e ambientalmente segura.

O Brasil já possui experiência com o processamento do xisto, especialmente no Paraná. Portanto, o Rio Grande do Sul não precisaria começar do zero.

São Gabriel e Dom Pedrito poderiam se transformar em polos de pesquisa mineral, química e energética, e não devemos pensar apenas em combustível. O processamento do xisto pode gerar diferentes correntes e coprodutos, abrindo possibilidades para a indústria química e para o desenvolvimento de novas tecnologias.

O verdadeiro projeto não deveria ser simplesmente retirar a rocha do subsolo e vendê-la, deveria ser transformar conhecimento geológico em tecnologia, empregos qualificados, indústria e desenvolvimento regional.

Para isso, precisamos de universidades, pesquisadores, empresas e governo trabalhando juntos, um programa gaúcho de pesquisa do xisto poderia começar com estudos geológicos e geoquímicos modernos, avançar para testes laboratoriais e, posteriormente, chegar a uma planta-piloto. Somente depois de comprovadas a viabilidade econômica e a segurança ambiental seria possível discutir uma exploração industrial.

E responsabilidade ambiental precisa estar no centro do projeto, controle de emissões, proteção das águas, gerenciamento de resíduos, recuperação das áreas e respeito às comunidades devem ser condições indispensáveis.

Talvez o potencial seja menor do que antigas estimativas indicaram, talvez seja maior, talvez novas tecnologias possam tornar economicamente viável aquilo que décadas atrás não era.

É justamente por não sabermos todas essas respostas que precisamos pesquisar, o Rio Grande do Sul já possui universidades, pesquisadores, engenheiros, químicos e geólogos capazes de participar desse desafio.

O subsolo gaúcho faz parte da nossa história geológica, conhecimento sobre ele pode fazer parte do nosso futuro, mas primeiro precisamos explorá-la com ciência, depois com tecnologia e, somente então, com responsabilidade.

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