OPINIÃO

TEORIAS DA CONSPIRAÇÃO (4)

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Tão antigas quanto o mundo

Crenças em conspirações surgem a todo o momento e em todas as sociedades. Muitas são inofensivas e não provocam danos relevantes, como a teoria de que a chegada do homem à Lua teria sido uma encenação dos EUA. Porém, outras conspirações alimentam discursos de ódio capazes de provocar violência, perseguições e até massacres, como a histórica Caça às Bruxas, que analisamos na semana passada.

Bode expiatório

O exemplo mais marcante do perigo das teorias da conspiração e da lógica do bode expiatório foi a falsa acusação de que os judeus seriam responsáveis pela crise alemã entre o fim da Primeira Guerra e o início da Segunda. Hiperinflação, desemprego e instabilidade política, somados às duras imposições do Tratado de Versalhes, criaram um ambiente de frustração nacional que favoreceu narrativas conspiratórias e a busca de culpados imaginários.

Minorias como vítimas ideais

Teorias da conspiração costumam mirar minorias com pouca capacidade de defesa. Em 1933, quando Hitler chegou ao poder, havia cerca de 505 mil judeus na Alemanha — totalmente integrados à sociedade e representando apenas 0,75% da população. Mesmo assim, foram rapidamente transformados em alvo de perseguições e narrativas falsas. A condição de minoria numérica facilitou sua caricatura como um grupo “oculto”, alimentando fantasias de complôs invisíveis. Ao mesmo tempo, sua presença em centros urbanos e em profissões intelectuais era distorcida pela propaganda nazista como sinal de um suposto “controle cultural”. Essa combinação — invisibilidade conspiratória e visibilidade seletiva — ajudou a sustentar a máquina de desinformação que precedeu a perseguição sistemática.

Cientistas, filósofos e artistas perseguidos

Os adeptos de teorias da conspiração costumam rejeitar tanto a ciência quanto a produção cultural. Um dos exemplos mais extremos ocorreu na Europa sob o regime nazista, que promoveu uma repressão sistemática contra cientistas, artistas e intelectuais. Pesquisadores foram silenciados, obras foram censuradas, universidades foram purgadas e milhares de pessoas acabaram presas, torturadas ou assassinadas em campos de concentração. Essa política de supressão intelectual gerou uma das maiores diásporas científicas e culturais do século XX. Além dos judeus, também foram perseguidos opositores políticos, homossexuais e autores rotulados como representantes da chamada “arte degenerada”. O resultado foi o exílio forçado de alguns dos mais influentes pensadores da época. Entre eles estavam Albert Einstein, Sigmund Freud, Hannah Arendt, Karl Popper e Thomas Mann — todos obrigados a abandonar a Europa para escapar da violência e da destruição deliberada da vida intelectual promovidas pelo regime nazista.

Milhões de mortos

O regime nazista (1933–1945) é o exemplo mais extremo de como teorias da conspiração e a criação de bodes expiatórios podem sustentar políticas de segregação, violência estatal, genocídio e guerra em escala global. Sob Adolf Hitler, cerca de 6 milhões de judeus foram assassinados, além de milhões de outras vítimas de grupos perseguidos: prisioneiros de guerra soviéticos (cerca de 3 milhões), poloneses não judeus (aproximadamente 2 milhões), pessoas com deficiência (cerca de 200 mil, alvo do programa de eutanásia forçada Aktion T4) e ciganos (mais de 250 mil), entre outros. No total, estima-se que entre 11 e 17 milhões de pessoas foram mortas diretamente pelo regime nazista e seus colaboradores durante o Holocausto e outras campanhas de extermínio — uma demonstração brutal de como ideologias conspiratórias, quando transformadas em política de Estado, podem produzir destruição em escala sem precedentes.

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