Advogado é suspeito de transferir patrimônio para não pagar acordos judiciais

Documentos que podem comprovar delitos de apropriação indébita, lavagem de dinheiro e organização criminosa foram apreendidos em Passo Fundo, Florianópolis e Itapema

Por
· 1 min de leitura
 Crédito:  Crédito:
Crédito:
Você prefere ouvir essa matéria?

A Polícia Civil de Passo Fundo, através da raco, coordenada pelo delegado Diogo Ferreira, e com apoio da Deic de Santa Catarina, desencadeou a Operação Confiança, que investiga os delitos de Apropriação Indébita, Lavagem de Dinheiro e Organização Criminosa. Na manhã desta terça-feira foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão nas cidades de Passo Fundo, Florianópolis e Itapema.


O investigado é um advogado que representou e representa ex-acionistas em vários municípios do Rio Grande do Sul em demandas ajuizadas contra a Companhia Riograndese de Telecomunicações (CRT), sucedida pela Brasil Telecom S/A. Algumas ações foram ajuizadas na Comarca de Passo Fundo, Porto Alegre e outras cidades, sendo que a partir do ano de 2005, iniciou-se a fase de execução efetiva dos créditos conferidos aos ex-acionistas. Em um número expressivo de ações, o advogado formalizou acordos judiciais envolvendo os ex-acionistas.

 

Os acordos formalizados chamaram atenção por diversos motivos, dentre eles: Renúncia significativa do crédito, variando entre 50% e 90%, postulado na fase de execução de sentença; Acordos formalizados por valores inferiores ao montante homologado, sendo que não havia possibilidade de alteração pelo trânsito em julgado; Texto padrão das minutas com grande semelhança aos acordos firmados em um caso investigado em Passo Fundo.

Em alguns casos o advogado investigado reconheceu ter lesado clientes e se comprometeu a liquidar os débitos de forma parcelada, reconhecendo de forma expressa a apropriação indébita. Entretanto, os pagamentos não ocorreram e hoje a dívida ultrapassa a quantia de dois milhões e quinhentos mil reais somente com os clientes onde houve acordo reconhecendo a apropriação dos valores. O investigado firmou alguns acordos para ressarcir as vítimas dos valores devidos e não os honrou. No entanto, estima-se que mais de quatro milhões reais foram apropriados pelo investigado, sendo que quando começaram as cobranças, o investigado ocultou seu patrimônio em nome de terceiros.

A realização das buscas serviu para apreender novos documentos e verificar para onde o investigado transferiu o patrimônio e identificar os “laranjas”. O advogado está com a OAB RS e SC suspensas administrativamente.

Gostou? Compartilhe