Gilda Galeazzi quer fazer história dentro do MTG

Candidata à presidência, ela pode ser a primeira mulher a comandar a entidade

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A história de pioneirismo de Gilda Galeazzi dentro do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) pode ganhar um novo capítulo no próximo semestre. Depois de dezoito anos à frente da 7ª Região Tradicionalista, tendo sido a primeira mulher neste cargo, ela concorre agora à presidência do MTG. Caso eleita, comandará mais uma vez uma função que, até então, vinha sendo ocupada somente por homens. As eleições ocorrem em janeiro de 2020.


Marauense, Gilda ingressou na invernada mirim do Centro de Tradições Gaúchas (CTG) Osório Porto no fim de 1967 e, desde então, jamais conseguiu se distanciar das manifestações artísticas ligadas à tradição gaúcha. “Pouco tempo depois, eu conheci meu marido, que fazia parte do CTG Fagundes dos Reis. Em 1970, casamos e começamos a nos tornar ainda mais ativos dentro do centro. Naquela época, a mulher tinha papel somente de esposa ou então auxiliando dentro da cozinha, na limpeza... Ela não tinha um papel de administradora dentro dos CTGs, isso não era comum. Eu comecei a me inserir nesse sentido a partir de 1992, quando meu marido foi eleito mais uma vez coordenador e eu comecei a auxiliar de maneira ativa dentro do Centro, ajudando a informatizar esses espaços, já que eu já exercia funções administrativas em um escritório que tínhamos”, resgata.


Inserida em um movimento amplamente conhecido por seu conservadorismo, Gilda precisou desafiar padrões quando, em 1995, se tornou a primeira mulher a liderar a 7ª Região Tradicionalista, órgão responsável por coordenar a fiscalizar entidades tradicionalistas de Passo Fundo e de outros quarenta municípios da região. “Eu não diria que o movimento é machista, mas até hoje ele é muito conservador. Imagine então naquela época. A mulher era sempre a companheira para as atividades, mas não exercia liderança. Chegar numa cancha de laço e ter que conversar com os homens, que eram a totalidade, era um desafio. No primeiro instante, quebramos um paradigma. Eu entendo que a mulher – não que ela deva ser comparada com o homem – tem mais sensibilidade para administrar as coisas. Nós fomos conquistando nosso espaço com muito trabalho, o que nos permitiu ganhar o respeito de todos envolvidos”.


Hoje, com quase duas décadas de experiência, Gilda garante que essa trajetória é o que lhe dá aval para concorrer ao cargo de presidente do MTG, enfrentando o desafio de ser a primeira mulher a liderar o tradicionalismo a nível estadual. “A 7ª Região é praticamente um espelho para as demais regiões tradicionalistas em termos de estrutura. Temos duas sedes próprias, nossas entidades têm um trabalho efetivo junto às comunidades onde estão inseridas, têm um papel de destaque na sociedade onde vivem, e isso tudo foi um trabalho de parceria, de execução e de implementação de uma gestão profissional e administrativa, algo que quero ampliar para todas as regiões, caso tenhamos a felicidade de assumir o MTG”, comenta.


Novos desafios
Embora administração não seja um assunto novo para Gilda, a possível eleição ao novo cargo traz, além de um motivo de orgulho, compromissos desafiadores. Se, antes, era ela a responsável por coordenar o movimento tradicionalista de uma única região, agora pode assumir a tarefa de exercer este mesmo trabalho junto a outras 29 regiões, cobrindo os 497 municípios gaúchos. Conforme explica a tradicionalista, é o MTG o responsável, entre outras funções, por averiguar a conduta e o funcionamento de todas as entidades ligadas ao movimento no Rio Grande do Sul. “Nós teremos que administrar todo o Estado, dando o respaldo necessário para as 30 coordenadorias na qual é dividido o MTG. São 1700 entidades tradicionalistas. Temos dois milhões de pessoas que participam ativamente delas. Teremos contato direto com os poderes constituídos”, comenta.


Além disso, segundo ela, o objetivo da equipe é tirar as entidades de “quatro paredes” e levá-las para a sociedade, algo que eles têm salientado durante este período de campanha. “Ainda hoje, muitas pessoas que não convivem nas entidades pensam que elas sobrevivem de churrasco e de baile, quando na verdade nós temos um forte trabalho social, de formação e de ajuda aos cidadãos, mesmo que informalmente. Dependemos muito dos recursos humanos dos departamentos artísticos, campeiros e culturais para mantermos as entidades abertas porque todo trabalho é voluntário. Queremos muito mostrar essa realidade para quem ainda não conhece”.


As eleições acontecem no dia 11 de janeiro de 2020, durante o Congresso Tradicionalista, na cidade de Lajeado. Cerca de 1100 representantes de entidades estão aptos a votar. A chapa concorrente à de Gilda é encabeçada pela ex-vice-presidente do MTG, Elenir Winck. Assim, seja qual for o resultado, é um novo momento para o movimento tradicionalista, que será certamente comandado por uma mulher.

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