Tempo seco provoca perdas nas lavouras de milho

Conforme especialista, produção de milho no Rio Grande do Sul na safra 2019/2020 pode sofrer queda de 40%

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A escassez de chuva e as altas temperaturas registradas desde dezembro passado têm causado perdas significativas no potencial produtivo das lavouras de milho no Rio Grande do Sul. É que o clima seco coincidiu, justamente, com a fase mais crítica da cultura e que demanda boa umidade: a de floração e enchimento dos grãos. As perdas variam conforme as regiões, onde houve maior ou menor distribuição de chuva. No Norte do Estado, conforme observa o engenheiro agrônomo Claudio Doro, as lavouras estão “totalmente destroçadas” e com “danos irreversíveis”. O plantio do milho já alcançou 95% da área prevista em todo o território gaúcho, que era de 777,4 mil hectares, conforme boletim divulgado pela Emater na quinta-feira (2).


Ainda de acordo com o levantamento da Emater, mais de metade das plantações de milho no Estado encontram-se no estágio de floração e enchimento do grão. “Até o fim de novembro, tínhamos lavouras lindas, com bom desenvolvimento e bom potencial produtivo. Depois disso, em dezembro, quando entrou nessa fase mais crítica, começamos a enfrentar clima seco, com falta de umidade, chuvas bem abaixo da média, temperatura extremamente elevadas e dias com 13 horas de sol”, explica Doro. Em Passo Fundo, por exemplo, dezembro foi marcado por temperaturas máximas acima de 30°C e o acumulado de chuva do mês não chegou nem à metade da média histórica esperada para o período, que era de 173mm.


Os resultados desta combinação de fatores, ainda segundo o especialista, são espigas com má formação, grãos pequenos e folhas inferiores morrendo de maneira precoce. Como reflexo, a safra 2019/2020, que vinha sendo estimada em aproximadamente 6 milhões de toneladas, pode sofrer queda de 40%. “Se, antes, esperávamos colher nove toneladas por hectare, agora vamos colher uns 100 sacos. Mal vai cobrir o custo”, lamenta Doro. Até o momento, conforme a Emater, somente 1% da área plantada já registrou a colheita do milho. Outros 17% têm espigas prontas para serem colhidas.


Danos irreversíveis


Apesar de os institutos de meteorologia apontarem a possibilidade de precipitação nesta semana, o engenheiro agrônomo Claudio Doro não enxerga desdobramentos positivos no quadro das lavouras. “O período crítico do milho dura em torno de 30 dias e esse período já passou. Não há nada a ser feito porque se trata de uma condição incontrolável. Quem teve irrigação conseguiu salvar um pouco, mas 98% das lavouras não têm essa tecnologia. Se a chuva vier, ela ajuda, mas não recupera”.

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