O Rio Grande do Sul ganhou mais um reconhecimento de Indicação Geográfica, IG, consolidando-se como o segundo estado brasileiro com maior número de certificações desse tipo, atrás apenas de Minas Gerais. O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu à região de Machadinho a Indicação de Procedência pela produção de erva-mate, reforçando a tradição e a qualidade do produto cultivado na área.
A certificação não se restringe apenas ao município de Machadinho, mas também se estende a outros nove municípios da região: Barracão, Cacique Doble, Maximiliano de Almeida, Paim Filho, Sananduva, Santo Expedito do Sul, São João da Urtiga, São José do Ouro e Tupanci do Sul. Com isso, a região se consolida como um dos principais polos ervateiros do país.
Para Ilvandro Barreto, assistente técnico da Emater de Passo Fundo, a Indicação Geográfica é um reconhecimento que fortalece a história e a identidade local. “Ela passa a ser uma forma de consolidação, um reconhecimento de uma tradição, um atributo que uma determinada região tem para a produção de um produto. No caso de Machadinho, a relação da região com a erva-mate remonta à pré-colonização e teve um papel fundamental na economia local ao longo dos séculos”, explica.
Benefícios da Indicação Geográfica
Ilvandro Barreto explica que o reconhecimento da IG não apenas valoriza o produto, mas também fortalece a economia local, incentivando a produção e a indústria ervateira. Barreto destaca que a certificação também impacta positivamente o turismo e o desenvolvimento regional. “A IG muda a percepção sobre um território e atrai investimentos. Regiões como o Vale dos Vinhedos e Gramado se tornaram grandes polos turísticos também por conta desse reconhecimento”, afirma.
Além disso, a indicação permite que os produtores utilizem um selo especial em suas embalagens, agregando valor ao produto e destacando sua origem distinta. Isso favorece a exportação e amplia as possibilidades de mercado para a erva-mate da região.
O processo de certificação
O caminho até o reconhecimento do INPI foi longo e exigiu um trabalho detalhado. O processo teve início em 2020, com a estruturação burocrática e a elaboração do material comprobatório. Entre 2021 e 2023, foram feitas pesquisas e levantamentos históricos para demonstrar a importância e a singularidade da produção de erva-mate na região.
Em 2023, o INPI iniciou a análise do pedido, um processo que se estendeu até fevereiro de 2025, quando finalmente a região de Machadinho obteve o título de Indicação de Procedência.
A partir de agora, começa uma nova etapa: a regulamentação da produção dentro dos padrões estabelecidos pelo caderno de especificações técnicas. Somente os produtores e indústrias que atenderem a esses requisitos poderão utilizar o selo da IG em seus produtos.
Importância histórica da erva-mate na região
Ilvandro Barreto explica que a relação da região de Machadinho com a erva-mate remonta à época da colonização. Durante o ciclo da erva-mate, entre 1912 e 1950, a economia local girava em torno da produção e beneficiamento da planta. No entanto, em 1951, mudanças na legislação tributária levaram ao fechamento de diversas indústrias artesanais, o que resultou em um período de declínio na produção.
Somente em 1994, com a criação da APROMATE (Associação dos Produtores de Erva-Mate), houve uma reestruturação do setor e um resgate da produção industrial na região. Um marco importante nesse processo foi a descoberta da Cambona 4, a única cultivar de erva-mate registrada no Ministério da Agricultura com origem no Rio Grande do Sul.
O futuro da erva-mate de Machadinho
Com a Indicação Geográfica, a região de Machadinho entra em um novo ciclo de desenvolvimento. Agora, produtores e indústrias locais vão se organizar para aderir à certificação e utilizar o selo da IG, garantindo padrões de qualidade que tornem a erva-mate ainda mais competitiva no mercado nacional e internacional.
A expectativa é que, até o segundo semestre de 2025, os primeiros produtos certificados com a IG da região de Machadinho cheguem ao mercado, consolidando de vez o estado como referência na produção da erva-mate.
Essa conquista não apenas valoriza a história e tradição da região, mas também impulsiona o crescimento econômico e o turismo, fortalecendo a identidade cultural do norte do Rio Grande do Sul.


