“O boteco serve como uma terapia”

Há três meses o maior artilheiro da história do Campeonato Gaúcho iniciou uma nova fase: sócio-proprietário de um bar. Conversamos, então, com Sandro Sotilli sobre o Boteco do Sotilli

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Sandro Sotilli, agora na versão dono de boteco em Passo Fundo - Foto: Kleiton Vasconcellos/ ONSandro Sotilli, agora na versão dono de boteco em Passo Fundo - Foto: Kleiton Vasconcellos/ ON
Sandro Sotilli, agora na versão dono de boteco em Passo Fundo - Foto: Kleiton Vasconcellos/ ON
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Jogadores de futebol existem vários. Mas poucos conseguem transcender a carreira daquilo que foi feito dentro das quatro linhas de uma forma tão ampla quanto Sandro Sotilli. Engana-se quem vê nele apenas um contador de histórias ou parceiro para tomar uma. Ele é isso e muito mais. Tanto que, há três meses, inaugurou em Passo Fundo o Boteco do Sotilli, um lugar que une futebol, música e, sobretudo, parcerias.

111 gols

Porém, voltemos no tempo: ainda enquanto jogador, Sotilli marcou seu nome na história do futebol gaúcho ao anotar 111 gols na Série A – um recorde. Ainda naquele tempo inaugurou uma escolinha de futebol para crianças em Passo Fundo, uma loja de roupas em Pelotas, explorou caminhos da internet, promoveu bailes e até uma candidatura política. Agora investe sua rede de contatos, recursos e a própria figura pública em um bar temático, localizado no Centro de Passo Fundo.

Junto a outros dois sócios – Alessandro e Fábio – encontrou a peça localizada na Rua General Osório, entre a Fagundes dos Reis e Benjamin Constant. Quem chega ali logonota a temática: o letreiro “Boteco do Sotilli” é grande e, à direita da porta, um mosaico de fotos emoldura a carreira de 20 anos do ex-centroavante. As mesas e cadeiras comportam cerca de 220 pessoas e, como destaque, um telão de 4m x 2m.

A grande tela foi inaugurada na Copa do Mundo. Serve para a exibição de jogos da Dupla Gre-Nal ou shows musicais, como um pano de fundo para os músicos que ali se apresentam de quarta a domingo. Ainda há o espaço interno, recheado de pôsteres e troféus. O teto é ornamentado com as camisas usadas por Sotilli em jogos, além de peças doadas por visitantes.

Parcerias

O boteco é, na verdade, o resultado de paixões do próprio Sotilli. “Na verdade, eu sempre estive ligado a boteco e bar e quando surgiu a oportunidade de eu colocar o meu nome atrelado num lugar bonito e principalmente voltado para o futebol, eu tentei fazer essa experiência” conta. Para o sucesso ficar completo, o histórico camisa 9 convoca muitas parcerias com jogadores, bandas, músicos, família e amigos.

Conversar, contar história e tomar um chope

De uma forma direta, o objetivo dos sócios é “que as pessoas venham para cá e sintam uma extensão da própria casa, um lugar de entretenimento, de amizade, tanto mulheres, crianças e homens. Um lugar de lazer”.

O próprio Sotilli se põe no papel de frequentador. “Eu gosto de contar a minha história, de que as pessoas, às vezes, sentem para tomar um chope comigo e contar também a história delas. O mais importante é eu ouvir a história das pessoas que vêm no boteco, porque todo mundo tem uma história. Então eu aqui tenho um tempo para me dedicar e dar atenção para as pessoas, as pessoas que são meus fãs, da minha história como jogador, que me acompanham nas redes sociais” ensina.

Resenha é terapia

E mais: na visão de Sandro Sotilli, o local é pensado para que as pessoas conversem, troquem ideias e, quem sabe, façam rede de contatos. “O boteco, na verdade, serve como uma terapia. Tu vem aqui, encontra amigos, encontra parceiros, sai um pouco do dia a dia e vem conversar com um amigo, meter uma corneta” enfatiza. Ainda, é tratado como um local de network. “Às vezes no network a gente não tem local para fazer isso. E às vezes no boteco é um lugar mais direto, tu encontra amigos, parceiros, depois de uma cervejinha, de um show, parece que as coisas ficam melhores. Então, com certeza, já muitos negócios, muitas parcerias aconteceram aqui no boteco” completa.

Presenças? Temos

Em tratando o propósito da soma futebol + música, os três meses já foram preenchidos com presenças ilustres, para além do já citado Sandro Sotilli. Os frequentadores já puderam assistir jogos junto aos gremistas Douglas, Edílson e Anderson Polga, aos colorados Iarley, Perdigão e Gabiru ou ainda heróis do futebol local, a exemplo de Diego Miranda, Ernestina, Ricardo Attolini e Cláudio Freitas. Nos microfones já cantaram Wagner Schneider do Corpo & Alma, Alessandro Turra do Brilhasom e Cris do San Marino. Nomes locais como Walesca Mendes e Mateus Menna são presenças frequentes.

“Aqui a gente quer sempre fazer, pelo menos uma vez por semana, um dia temático. O que é? Tivemos o Festival da Cuca com Linguiça, temos a Pulperia de Sotilli, que é uma noite bem nativista, temos uma noite do rock, temos uma noite do flashback e outras noites são músicas, assim, temos um dia do pagode e temos os outros dias que são de quintas a sábados, voz e violão. Então, essa voz e violão toca um pouco o repertório de tudo” avisa. Vale ressaltar que no Boteco do Sotilli já foram realizados encontros de carros antigos, motociclistas, turma do flashback e aniversários.

Times e mais times

Porém, para além de tudo, o pano de fundo é o futebol. “Eu vou fazer ainda aqui no boteco um quadro dos 10 motivos pelos quais o cara não foi jogador. Todo mundo tem uma desculpa, né? Ah, casei cedo, a namorada não deixou, fiz cirurgia, era longe... Então são vários fatores que a gente vê aqui no boteco, que são histórias do futebol” conta. Causos esses repetidos por times amadores inteiros que já foram ali tomar uma com o Sotilli. “A gente já recebeu várias equipes amadoras de toda a região. Roca Salles, Lagoa Bonita, Sarandi, Marau. Então, essa proximidade, a gente poder jogar um futebol, depois de jogar futebol em outro lugar, depois vir para cá, tomar um show, compartilhar esses momentos. Estamos aqui para tudo isso” fala.

Franquia? Quem sabe

O cardápio consta de petiscos, variações de xis e ampla variedade de bebidas. “O melhor lugar para receber esses amigos é num boteco, final da tarde, início da noite ou mesmo à noite. Então eu falei, quando eu pensei nisso, que é um negócio que pode virar isso uma franquia, expandir isso para outras cidades” avisa. Sotilli deixa escapar que já recebeu vários convites para franquear o boteco em outros lugares, “mas a gente percebe que não está pronto quanto a isso. A gente quer fortalecer aqui, estabelecer uma equipe e cardápio para depois franquear para outras cidades” finaliza.

“Eu gosto de contar a minha história, mas o mais importante é eu ouvir a história das pessoas que vêm no boteco, porque todo mundo tem uma história"

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