Será um caso de bullying?

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Por Gisele Dala Lana

As crianças convivem por um bom tempo apenas na presença de suas famílias, amigos e vizinhos, mas é na escola que poderão se experimentar e se inserir na sociedade. É onde ocorrem as primeiras amizades, o primeiro amor, a quebra de limites, as brigas, enfim é o local em que a criança pode testar suas capacidades e também se frustrar diante do desejo do outro, que muitas vezes não condiz com o seu. A criança irá aprender a reagir diante destas situações, para isso é importante que escola e pais assumam seus papéis de socializar e educar, auxiliando-as neste ensaio de convívio em grupo.

No ambiente escolar, a criança deixa de ser o centro das atenções e precisa aprender a se virar sozinha, podendo reagir de forma violenta ou sendo o alvo de agressões, já que não sabe como lidar com algumas situações. É comum nos depararmos com brincadeiras em que as crianças colocam apelidos nos colegas ou em que testam sua força, podendo dar leves empurrões. Porém quando estas atividades são realizadas para provocar dor e sofrimento no outro devemos ficar atentos aos sinais evidenciados pelas crianças, pois pode se tratar de um caso de bullying.

Bullying é um termo inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados geralmente por um grupo de indivíduos que tem a intenção de agredir, excluir, intimidar, humilhar e perseguir o outro, que demonstra ser incapaz de defender-se. Dentre as agressões encontramos xingamentos, gozações, roubo, quebra de pertences, extorsão de dinheiro, empurrões, pontapés. Outra maneira que está se tornando conhecida é o cyberbullyin, onde internet e celular são utilizados para deixar recados de discriminação e humilhação, ficando visível a todos. Podemos constatar três papéis assumidos nos atos do bullying: o agressor, a vítima e as testemunhas.
O agressor geralmente convive num ambiente familiar desestruturado, com pouca troca de afetividade entre os membros. Como não tem este cuidado, preocupa-se apenas consigo próprio, não levando em conta os desejos do outro, mostra ser durão e drástico em suas ações, não suporta ser frustrado em seus desejos, quando não fazem o que ele quer, fica sem saber o que fazer para que tenha o controle da situação, assim para não parecer fraco perante aos outros, tende a reagir de forma agressiva. Dessa forma, ele pode sentir-se forte e o outro que ficará na posição de fraco e inferior, utiliza-se da imposição e do poder para não se deparar com seus sentimentos de inferioridade e insegurança.

A vítima demonstra alguns sentimentos de inferioridade e baixa autoestima, ocupa um papel passivo e submisso, pode se sentir impedida de reagir ou solicitar ajuda, por medo ou vergonha de contar sobre as intimidações e agressões que estão ocorrendo. Alguns podem achar que realmente são fracos e incapazes para defender-se, pois se de alguma forma percebem e sentem as acusações como verdadeiras, podem se confundir e acabar se isolando dos outros, passando a acreditar que são merecedores destas acusações. Podem diminuir seu rendimento escolar e até recusarem-se de ir para a escola, tendo um comportamento de pânico ou dores no corpo, como dor de barriga, dor de cabeça, entre outros. Pais e professores podem levar um tempo para identificar o que está ocorrendo, devido os filhos/alunos não contarem pelo que estão passando. Estas crianças passam a ter poucos amigos, sendo rejeitadas e excluídas dos grupos.
As testemunhas ou espectadores são os que também vivenciam as cenas das agressões, não são os alvos nem os agressores, convivem e presenciam o bullying na escola, porém não sabem como devem agir. Com medo de auxiliar e depois serem os próximos alvos a sofrerem com agressões, ficam calados.

Quando pais ou direção da escola percebem este problema devem comunicar-se e apoiar a vítima de forma mútua, adotando medidas de proteção a esta criança, como afastá-la deste grupo de agressores. Da mesma forma, a família do agressor deve ser informada e auxiliar a escola neste processo, dando a devida atenção ao problema em questão.
Escolas, pais e comunidade devem estar atentos para este problema, pois a violência ocorre para ambas as partes e deixa consequências. Para a vítima o sofrimento se revela de forma mais traumática, já o agressor deve receber um limite para parar com seus atos violentos. Estas crianças e adolescentes estão numa fase de constituição e formação da personalidade e o modo como se comportam nesta fase, será refletida em suas atitudes e ações enquanto adultos.

Gisele Dala Lana é psicóloga
gdalana@yahoo.com.br

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