Cirurgia inovadora substitui transplante de fígado

O paciente submetido à cirurgia não utiliza os imunossupressores

Por
· 1 min de leitura
Você prefere ouvir essa matéria?

 

Uma nova técnica para a retirada de tumor de fígado foi aplicada pela primeira vez no mundo em uma criança em janeiro deste ano, no Hospital Pequeno Príncipe em Curitiba (PR). Um menino de 12 anos foi diagnosticado com tumor maligno no fígado em janeiro de 2013 e, em março do mesmo ano, iniciou o tratamento quimioterápico até que ele estivesse apto para um transplante de fígado – até então único recurso possível para o tipo de tumor.

Um ano depois, em janeiro de 2014, ele foi submetido a uma nova técnica, chamada ALPPS (Associating Liverpartitionand portal veinligation for stagedhepatectomy) e descrita pela primeira vez em 2012 e só em adultos, não precisando recorrer ao transplante. O procedimento é realizado em duas etapas, com intervalo aproximado de 15 dias. Primeiro é feita a cirurgia para a bipartição do fígado, com a ligadura de veia porta (que leva o sangue do intestino para o fígado) e secção do órgão. Na etapa seguinte, o tumor e a área comprometida são retirados, sem o risco de insuficiência hepática, ao mesmo tempo em que se inicia a regeneração da parte sadia do fígado.

No caso do garoto de 12 anos, o tumor de aproximadamente 19 cm comprometia mais de 75% do fígado e o único tratamento indicado para salvar a vida dele era o transplante. Com a realização do ALPPS, que primeiro isolou e na sequência removeu a área afetada - após o crescimento da área de fígado sadia -, o órgão alcançou, no período de 10 dias, 41% do tamanho normal. E resultados da última tomografia mostram que após três meses da cirurgia o órgão estava com o volume 70%.

Um dos principais benefícios da nova técnica é a não realização do transplante de fígado. O paciente submetido à cirurgia não utiliza os imunossupressores (indicados para evitar a rejeição do órgão) necessários para aqueles que se submetem ao transplante, o que é uma vantagem, visto que tais medicamentos podem causar alguns efeitos colaterais a médio e longo prazo, inclusive a recorrência do tumor.

 

Gostou? Compartilhe