Telemedicina para salvar vidas

Cardiologia do HSVP conectada ao Latin America Telemedicine Infarct Network

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· 3 min de leitura
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Latin America Telemedicine Infarct Network

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O Hospital São Vicente de Paulo de Passo Fundo integra o programa de telemedicina em Cardiologia intitulado LATIN – Latin America Telemedicine Infarct Network. O foco é reduzir substancialmente a mortalidade do infarto agudo do miocárdio, preservando o maior percentual possível de musculatura cardíaca, evitando o surgimento de ICC (Insuficiência Cardíaca Congestiva). Participaram integrantes da diretoria do HSVP, secretários de Saúde e médicos de municípios da região e profissionais da Medtronic, empresa multinacional patrocinadora do programa. Inicialmente, 10 municípios são centros locais de referência. Desta forma receberam equipamentos de eletrocardiograma e estações de telemedicina, estando permanentemente conectados ao centro coordenador internacional, em Miami, ao centro coordenador brasileiro, em Belo Horizonte e ao centro de referência macrorregional, o Hospital São Vicente de Paulo. Para tanto, a instituição ampliou em mais 10 leitos a sua emergência, especificamente, para pacientes do programa.

Primeiro no RS

O Dr. Rogério Tumelero, cardiologista intervencionista e coordenador do projeto, explicou que a Cardiologia do HSVP tem um histórico de duas décadas de tratamento do infarto, com múltiplas publicações nacionais e internacionais, trazendo para a macrorregião a pesquisa clínica e o atendimento com resultados equiparados aos grandes centros mundiais. “Conforme dados do Datasus, de 2010 a 2016, 128 mil internações foram registradas no estado, com doença obstrutiva do coração. A mortalidade média no estado foi de 5,1; na capital e região metropolitana 4,3; na região de Caxias do Sul, 6,0; na região do Planalto, atendida pelo HSVP, foi a menor do estado, com 2,3. Isso é muito importante e o objetivo do Latin é reduzir ainda mais essa mortalidade”, enfatizou Tumelero, ao salientar que o Hospital São Vicente de Paulo é o primeiro no estado a aderir ao Programa Latin. 

Prêmio e desafio 

O coordenador do Instituto Vascular do HSVP, Dr. Alberto Kaemmerer, abordou a política de incorporação tecnológica e recursos humanos, afirmando que a implantação do Latin possibilita a estruturação de um modelo que irá distribuir resultados para a população dos municípios participantes. Ao evidenciar a trajetória da Cardiologia do Hospital São Vicente de Paulo, o superintendente executivo, Ilário De David enfatizou o trabalho e a visão de médicos que desbravaram a especialidade com a introdução de novas tecnologias, que fazem toda a diferença no tratamento das doenças cardíacas. Portanto, “o Latin significa um prêmio e um desafio para nós, mas certamente na metade norte do estado e no oeste de Santa Catarina, teremos um grande diferencial no que se refere ao tratamento de infarto”.

 

O exercício da Medicina a distância

 O Dr. Roberto Botelho, presidente nacional da ITMS – Instituto de Telemedicina, propiciou uma visão geral do Latin e o papel da telemedicina para salvar vidas. Segundo ele, a doença cardiovascular ou infarto é a que mais mata no Brasil. E o problema é que metade da população que sofre de infarto não apresenta sintomas, sendo que 25% não tem fator de risco, como fumo, pressão alta, colesterol e acaba sofrendo o infarto. Metade das pessoas que morrem, fazem óbito antes de chegar ao hospital. “Então com estes dados, a população tem que estar alerta para o que chamamos de vulnerabilidade. Outro ponto importante é que quem mais corre risco é a população exposta à falta de assistência. Quanto menor o índice educacional, menor a renda per capita, maior a incidência de infarto. Essas pessoas moram onde não tem estrutura, não tem médico, não tem enfermeiro e nem leito. Aí que vem o papel da telemedicina, que é o exercício da medicina à distância”.

 Redução da mortalidade

Na prática, Botelho afirma que através da telemedicina é possível um médico do São Francisco ajudar um profissional que esteja distante, a diagnosticar e tratar infarto, num intervalo de tempo mais curto possível. “Com isso reduzimos a mortalidade. Se estamos falando que metade morre antes de chegar ao hospital, morre antes das primeiras duas horas, então, se eu atendo a pessoa antes, eu consigo reduzir a mortalidade”, reitera Botelho. O projeto mostrou este índice da redução de mortalidade na Índia, Porto Rico, Colômbia, Brasil, Chile, Peru, entre outros países que tem o Latin. O programa conta com profissionais de mais 80 países que prestam consultoria permanente para trazer inovação, acompanhar, assistir, tratar e ajudar os médicos durante 24 horas, sete dias por semana, com o foco na redução da mortalidade. Conforme Botelho, o que o HSVP está fazendo para a região é um marco histórico. “Este projeto merece um Nobel de Medicina, porque não há na história da medicina nenhum projeto que reduza a mortalidade em 50%, baixe custo e aumente o acesso das pessoas.  Eu cumprimento a direção do hospital, que neste momento de crise, atende mais de 70% do SUS e agradeço o compromisso da instituição de adotar o projeto e de distribui-lo democraticamente com a população que o assiste”.

  

 

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