Estudo estima que mais de 53 mil gaúchos têm anticorpos do novo coronavírus

A estimativa é dois casos não notificados para cada caso notificado

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· 4 min de leitura
Dos 4500 testes realizados nesta fase, foram registrados 21 positivos (Foto: Daniela Xu/Divulgação)

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Os resultados da quinta fase do EPICOVID19-RS foram anunciado nesta tarde (1) em uma live nas redes sociais do governo do Estado. O estudo visa avaliar o percentual de infectados pela Covid-19 no Rio Grande do Sul. Na quinta etapa da pesquisa, foram testadas e entrevistadas 4500 pessoas em nove cidades. Os dados apresentados pelo professor emérito da UFPel, Fernando Barros, e integrante da coordenação do estudo, estimam que 53.094 pessoas já tenham sido infectadas no estado, o que representa 0,47% da população com anticorpos. Na quarta fase, realizada no final de maio, a prevalência era de 0,18%. Portanto, os resultados apontam um aumento na prevalência da doença no Rio Grande do Sul.

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O testes e entrevistas são realizados em nove cidades - Porto Alegre, Canoas, Pelotas, Caxias do Sul, Santa Cruz do Sul, Santa Maria, Passo Fundo, Ijuí e Uruguaiana – que representam 31% da população gaúcha. Dos 4500 testes realizados nesta fase, foram registrados 21 positivos, três deles em Passo Fundo. A estimativa é que exista um infectado para cada 214 habitantes e uma relação ao redor de dois casos não notificados para cada caso notificado. Os dados mostram ainda que para cada 1 milhão de habitantes, estima-se a existência de 4667 infectados reais e 2219 casos notificados.

Em comparação com os resultados da pesquisa nacional, a EPICOVID19-BR, a prevalência no estado é menor do que no país, de acordo com professor Barros. "Sabendo que nem a nossa amostragem nacional, nem a amostragem gaúcha são representativas do país ou do estado. Mas elas indicam que o nível da infecção no Rio Grande do Sul é menor do que o nível da infecção no Brasil", explicou.

Com as estimativas do estudo, a letalidade do estado cai para 1,1%. Baseada apenas nos casos notificados, a letalidade é de 2,2%. “É um número bastante elevado, se comparado ao total de óbitos causados com outras infecções respiratórias”, explicou o professor Fernando Barros. 

Na conclusão, o estudo recomenda o aumento da testatagem, da busca ativa e do isolamento dos casos. "Nós sabemos que as medidas de distanciamento social, se não acompanhadas de ampla testagem podem não ter o efeito desejado", explicou o professor.

Sintomas

Além dos dados de prevalência, a pesquisa também ressalta os sintomas mais comuns entre os pacientes confirmados. O sintoma mais prevalente é a tosse, que atinge 45% dos infectados, seguida por dor de garganta (35%), alterações de olfato e/ou paladar (30%), dificuldade para respirar (25%), febre (20%) e diarreia (10%).

Distanciamento Social

O estudo revelou ainda informações sobre o distanciamento social. Em relação à última fase, realizada no mês de maio, houve um aumento no número de pessoas que admitem sair de casa diariamente, representando 32,7% da população, e de pessoas que saem apenas para atividades essenciais, subindo para 54,6%. Já entre os que permanecem sempre em casa, o número caiu para 12,5%. Em Passo Fundo, 35,2% das pessoas admitem sair de casa diariamente, 52,8% saem apenas para atividades essenciais, e apenas 12% permanecem em casa o tempo todo. Na primeira fase da pesquisa, em Passo Fundo, 18% diziam estar em casa o tempo todo, 25% sair diariamente e 57% para atividades essenciais.

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"Levando em consideração a implementação do Distanciamento Controlado e as atitudes individuais, percebe-se, do início de abril ao final de junho, uma diminuição dos cuidados e da obediência aos protocolos de prevenção. Vemos isso com preocupação, especialmente neste momento em que vemos a velocidade de contágio aumentando", alertou o professor Fernando Barros.

“Além de a pesquisa apontar aumento na disseminação do vírus pelo Estado, também mostra que a população não está obedecendo ao distanciamento social com o mesmo afinco que fazia em abril. Sabíamos que isso ocorreria, mas volto a chamar atenção para o fato de que estamos vivendo o momento mais delicado da pandemia até agora, e a colaboração de cada gaúcho e de cada gaúcha é essencial”, alertou o governador Eduardo Leite.


Próxima fase

Uma nova fase do estudo deve ocorrer entre os dias 24 e 26 de julho. O EPICOVID19 é coordenado pela Universidade Federal de Pelotas e pelo Governo do Estado Rio Grande do Sul, com apoio de uma rede de doze instituições de ensino superior públicas e privadas. Em Passo Fundo, o estudo conta com o auxílio de professores e pesquisadores da Universidade de Passo Fundo (UPF), Imed e Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS). O objetivo do estudo é estimar o percentual de gaúchos infectados pela Covid 19; avaliar a velocidade de expansão da infecção; fornecer indicadores precisos para cálculos da letalidade e determinar o percentual de infecções assintomáticas ou subclínicas. É o único estudo populacional no mundo com cinco pontos de dados numa mesma população. O estudo conta com financiamento do Instituto Serrapilheira, Unimed Porto Alegre e Instituto Cultural Floresta.

Lockdown

O reitor da UFPel, Pedro Hallal, participou da transmissão ao vivo para esclarecer uma dúvida a respeito da adoção de “lockdown” no Estado. Hallal vem alertando sobre a necessidade de um lockdown rigoroso no Brasil, de 15 dias, para deter a curva ascendente de casos confirmados e de óbitos por coronavírus.

O reitor explicou, no entanto, que o Rio Grande do Sul tem um acompanhamento da evolução da pandemia que nenhum outro Estado apresenta. “É uma situação muito preocupante em todos os Estados, alguns mais do que outros, mas a recomendação sobre o lockdown é para o país inteiro. De nada adiantaria o Rio Grande do Sul fazer isso sem que outros Estados adotem a mesma medida”, esclareceu. “Se identificarmos essa necessidade para o RS em algum momento, defenderemos isso, e tenho certeza de que o Estado daria o mesmo encaminhamento”, reforçou.

Dados da quinta etapa da EPICOVID19-RS

- 4.500 testes

- 21 testes positivos

- 0,47% da população com anticorpos

- 1 infectado a cada 214 habitantes

- 53.094 pessoas com anticorpos no RS

- Para cada 1 milhão de habitantes no RS, estima-se que existem 4.667 infectados reais e 2219 notificados

- Para cada caso notificado no RS, existem ao redor de 2 casos não notificados

- Letalidade: Baseada em casos notificados: 2,2% - Baseada no total de casos: 1,1%

Com informações da Assessoria de Imprensa da UPF e da Secretaria de Comunicação do RS

Notícia atualizada às 17h

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