MEDICINA & SAÚDE - O quando, o como e o porquê?

(*) Sérgio Luis Amantea

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(Foto - Marcelo Matusiak-Divulgação)(Foto - Marcelo Matusiak-Divulgação)
(Foto - Marcelo Matusiak-Divulgação)
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Não temos dúvidas sobre “o que” precisamos discutir: o retorno presencial das atividades escolares. Há um ano a SPRS - Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul vem demonstrando que a escola pode ser um ambiente seguro durante a pandemia. “O porquê” também não é difícil. Bastaria o dado objetivo da UNESCO: O Brasil ocupa a não orgulhosa posição de ser um dos países do mundo com o maior número de dias de escolas fechadas. A leitura do dado é desconfortável. Poucos países deixaram de levar à escola políticas de restrição. Suécia, EUA, Nova Zelândia, Uruguai e Singapura apresentam os menores tempos de fechamento (zero até 27 dias). Tal cenário é de fevereiro de 2021, quando o Brasil completava 267 dias sem escolas.


Pediatras

Para os pediatras tem sido fácil listar “o porquê” das escolas precisarem abrir: maior frequência de distúrbios psicológicos, comportamentais, doenças orgânicas e atrasos cognitivos. Um potencial impacto sobre a expectativa de vida e o futuro da sociedade. Uma conta que começa a ser paga agora e se estende por gerações. “O quando” nos parece a questão complexa. Possuímos indicativos de segurança: doença é menos frequente e menos grave na população infantil, papel da criança na cadeia de transmissão é controverso, abertura das escolas não parece aumentar o número de casos (proporcional ao comportamento comunitário). Como risco observou-se em alguns países (Israel, Itália, Nigéria e Reino Unido) que o número de casos aumentou após a abertura das escolas (embora com causalidade não estabelecida). Entretanto, nenhum país do mundo abriu escola num cenário de transmissão descontrolada e com falência do sistema de saúde.


Modelos testados

Devemos sempre fundamentar nossas posições com modelos testados. Nosso equívoco não está na manutenção da escola fechada por algumas poucas semanas, quase todos os países do mundo fizeram isso. Talvez pudéssemos ter valorizado a escola como um serviço realmente essencial e com isso não termos penalizado a sociedade com tão longo afastamento. Felizmente, nos últimos dias nossos indicadores de doença apontam um cenário mais favorável. Esperamos que mantenham sustentabilidade para que as escolas abram e não fechem mais.

Para finalizar, “o como” é o agora da discussão. Neste quesito temos muitas evidências que demonstram que a escola pode ser um ambiente seguro, mesmo durante a pandemia. Mãos à obra, as crianças agradecem!


Sérgio Luis Amantea é presidente da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS)


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