"É o nosso milagre"

Afirmação é de mãe do prematuro mais extremo a sobreviver no HSVP

Por
· 3 min de leitura
Foto: Assessoria de Imprensa HSVP/Scheila ZangFoto: Assessoria de Imprensa HSVP/Scheila Zang
Foto: Assessoria de Imprensa HSVP/Scheila Zang
Você prefere ouvir essa matéria?

Ao longo da nossa vida vivemos muitas situações que nos tira o chão, que nos deixa pequenininhos, fracos e sem perspectivas. Mas nem quando o último fio de esperança escapa das nossas mãos, perdemos a nossa fé. Fé é acreditar em alguma coisa, mesmo que abstrata. É ter convicção da verdade naquilo que crê. Para a Talita Bueno da Silva e o Paulo José Frizon, pode-se dizer que a fé foi o que os guiou em sua jornada com o filho, Benjamin Bueno Frizon, prematuro extremo que nasceu de 23 semanas, pesando apenas 595 gramas e após mais de 140 dias na UTI Neonatal do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), de Passo Fundo, já está com mais de 3,5kg e 48 centímetros.

Essa história, conforme conta o pai, começou no dia 11 de dezembro, quando Talita fez o exame morfológico e foi o primeiro do tipo que o Paulo participou, já que ele estava finalizando o Curso Básico de Formação Policial Militar 2020 e não conseguia estar presente nos demais. Nessa ocasião, com o colo do útero quase todo aberto, a esposa foi internada no HSVP. 

Na Maternidade, Talita relata que teve sangramentos e que foi um período muito difícil para eles. "A doutora me examinou e disse que o bebê poderia nascer a qualquer momento, qualquer coisinha e ele nascia, eu precisava de repouso absoluto. A gente ficou muito triste, muito preocupado com o Benjamin. Não sabíamos se ele ia nascer de 21, 22 ou 30 semanas, não sabíamos de nada". Diante de toda a situação, Talita relembra de um momento especial, onde os dois fizeram uma oração. "Eu lembro que disse 'Deus, essa batalha agora não é mais nossa, ela é sua. E nós vamos vencer. Eu vou ficar o tempo que for preciso e o Senhor vai guiar tudo'", conta. 

Na tarde do dia 21, Talita revela que estava no quarto quando o seu tampão desceu, mas o bebê não desceu junto. "Ali começou uma loucura. Fomos fazer um ultrassom depois e quase não dava para ver ele, estava praticamente sem água lá dentro, foi um momento de desespero muito grande. Não sabia o que iria acontecer com ele ou comigo, porque nós dois estávamos correndo risco de vida. Nesse momento, eu esqueci tudo e olhei para o teto do quarto e rezei. Disse 'Deus se for para o meu filho morrer dentro de mim, tira ele, porque ele vai ser uma benção. Por mais que ele vá ser muito pequeno, vai sair e vai ser lindo, vai crescer e um dia vai para casa com nós'". Naquela noite, depois da formatura do marido, Talita entrou em trabalho de parto e às 01h39min do dia 22, Benjamin nasceu. "Foi tudo no quarto mesmo, só deu tempo do Paulo chamar uma enfermeira e ela veio e colocou ele em cima da minha barriga. No começo, se preocuparam porque ele nasceu roxinho, não chorou, mas de repente ele começou a se mexer em cima da minha barriga. Foi um momento espetacular da minha vida, ver o meu filho nascer", conta emocionada.

Mas as lutas não pararam por aí, nos primeiros dias depois que foi para a UTI Neonatal, Benjamin permaneceu estável, mas após o diagnóstico de uma hemorragia grau IV, a mais elevada em prematuros, as coisas se complicaram. "A doutora disse que se ele sobrevivesse, seria uma criança com muitas sequelas. E na virada do ano, a gente já estava até com o velório preparado, porque não tínhamos mais esperanças, os rins tinham parado, a máquina respirava 100% por ele, era uma situação muito crítica", relembra Talita. 

Sem saber se ele viveria mais um dia, uma semana ou um mês, Talita se apegou novamente à sua fé. "Eu disse para a médica e as enfermeiras que Deus iria capacitar as mãos delas para cuidarem do Benjamin, porque se Deus quisesse levar ele, ele levaria e o Benjamin seria um anjinho no céu, senão, Ele ia restaurá-lo por completo e entregá-lo perfeito para nós". A surpresa veio depois da virada do ano, quando Paulo visitou o filho e o oxigênio estava em 40% e os rins tinham voltado a funcionar. Com o tempo, Benjamin foi crescendo e vencendo muitas outras batalhas, hoje, ele ainda está no oxigênio e não tem previsão de alta, mas Talita acredita que em breve ele sairá da UTI e que a ida para casa está cada vez mais perto. "Eu agradeço a todos que cuidaram e cuidam dele. Ele é um verdadeiro milagre na nossa vida", destaca. Depois de uma longa trajetória de incertezas, Talita deixa a mensagem para todos de que nunca devemos deixar de acreditar e de sonhar, pois tudo é possível.

Gostou? Compartilhe