MEDICINA & SAÚDE - O declínio do sistema imunológico associado ao envelhecimento

Importância da nutrição adequada em idosos para garantir eficácia da vacina da Covid-19

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Ovos: fonte de vitaminas A, B, D e E (Foto – Congerdesign-Pixabay)Ovos: fonte de vitaminas A, B, D e E (Foto – Congerdesign-Pixabay)
Ovos: fonte de vitaminas A, B, D e E (Foto – Congerdesign-Pixabay)
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Pessoas com 60 anos ou mais representam mais de 11% da população mundial. O envelhecimento populacional está associado a um acréscimo de doenças relacionadas à imunosenescência, incluindo maior suscetibilidade às infecções. A imunosenescência refere-se ao declínio do sistema imunológico associado ao envelhecimento. A idade avançada prejudica a imunidade inata e adaptativa, limitando a resposta aos patógenos e às vacinas. Clinicamente, essas limitações aumentam potencialmente a morbidade e a mortalidade neste grupo etário. Para a nutricionista Adriana Stavro, no momento a preocupação é com a pandemia. Por apresentarem risco aumentado se acometidos pelo vírus, os idosos foram prioridade para imunização. Porém, estudos apontam probabilidade de uma resposta fraca em indivíduos frágeis ou desnutridos, o que reduziria a eficácia das campanhas de vacinação. A baixa resposta às vacinas está relacionada não apenas à fragilidade da idade, mas também às deficiências de micronutrientes. A subnutrição diminui as defesas imunológicas. Ao reconhecer isso, a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar autorizou alegações de saúde de função nutritiva para vitaminas A, B6, B9, B12, C, E e D, além dos minerais Zinco, Selênio, Ferro e Cobre. Cada um desses micronutrientes tem papel importante no suporte imunológico e na redução do risco de infecções.


As vacinas

Essas deficiências imunológicas também têm sido associadas a baixas respostas às vacinas. Uma revisão sistemática e meta-análise de nove estudos envolvendo 2.367 indivíduos encontraram taxas de soroproteção mais baixas para o vírus influenza A subtipo H3N2 e para o vírus influenza B naqueles com deficiência de vitamina D. Uma relação de causa e efeito entre o estado de micronutrientes e as respostas à vacinação foi demonstrada por meio de ensaios clínicos randomizados em pessoas mais velhas. Outro estudo com 88 indivíduos com mais de 65 anos, que receberam 60, 200 ou 800 mg de vit E por 235 dias, demonstrou melhora na resposta a algumas vacinas como hepatite B, tétano, difteria e pneumocócica em comparação com o grupo placebo. 


Carências

Uma revisão sistemática de 2020 que incluiu 28 estudos, avaliou a insuficiência de minerais, incluindo idosos vivendo de forma independente e em instituições. A deficiência de zinco foi observada em 31% das mulheres da comunidade e 49% dos homens. A ingestão de selênio foi igualmente comprometida com deficiência em 49% das mulheres e 37% dos homens na comunidade e 44% das mulheres e 27% dos homens nas instituições. Além disso, insuficiência de ferro, iodo e cobre foi observado em ambas as populações. Outra pesquisa, no Reino Unido, mostrou piora na ingestão alimentar e escassez crônica de vários dos nutrientes envolvidos no apoio às funções imunológicas. Essas deficiências de micronutrientes podem limitar a eficácia das vacinas da Covid-19.


As vitaminas e os minerais


Vitamina A: vísceras como fígado, gemas de ovos, leite e derivados, frutas como manga, mamão, cajá, caju maduro, goiaba vermelha, abóbora, tomate e cenoura; 

Vitaminas do complexo B: leite e derivados, carne, ovos, vegetais folhosos verdes, carne vermelha, peixes, leveduras, cereais integrais, brócolis, cenoura, tomate, soja e castanhas;

Vitamina C: acerola, laranja, limão, mamão, morango, abacaxi, brócolis, couve e pimentão;

Vitamina D: óleo de fígado de bacalhau, salmão, atum, arenque, truta e sardinha, gema de ovo e fígado, além da necessidade da exposição ao sol;

Vitamina E: semente de girassol, amendoim, amêndoas, nozes, óleos de milho e soja, gérmen de trigo, azeite de oliva, vegetais de folhas verdes, fígado, gema de ovo;

Zinco: amendoim, amêndoa, camarão, carne vermelha, castanhas, chocolate amargo, feijão, grão-de-bico);

Selênio: peixes, carnes de boi, frango, queijos, leite e ovos, castanha-do-pará e castanha-de-caju;

Ferro: carne bovina, suína, frango, peixes, feijão, espinafre, brócolis e couve.


ATENÇÃO: Esses alimentos devem estar presente na alimentação de todos os maiores de 60 anos, em quantidades adequadas por um período de 2 semanas antes de receber a vacina e deve ser mantida até 2 semanas depois de receberem a dose.

Adriana Stavro é nutricionista funcional e fitoterapeuta - Especialista em Doenças Crônicas não Transmissíveis pelo Hospital Israelita Albert Einstein (Foto – Divulgação)


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