O samba não tem limites geográficos, pois a arte não tem fronteiras. Lembra o Rio de Janeiro, anda pelo litoral e bate forte no imenso Brasil. Vai além e espalha a batida da ginga afro-brasileira pelo planeta. “Na minha concepção o samba está em todos os estados do Brasil”, diz Odorico Ribeiro, personagem com carimbo dourado nas rodas de samba de Passo Fundo. Temos samba gaúcho, como no Pandeiro de Prata de Túlio Piva. E aqui no cosmopolita Passinho? “O samba de Passo Fundo tem uma leva de jazz, de samba de raiz, acordes próprios e uma pegada de MPB. Tudo isso no panelão e saiu o Grupo Sambah!”. Resumindo, é o samba de Passo Fundo.
O Samba da Minha Terra
Sábado, às 17 horas, a 37ª Feira do Livro de Passo Fundo abre uma página em pentagrama com o título “O Samba da Minha Terra”. O Grupo Sambah! estará no palco com um repertório exclusivamente de sambas passo-fundenses. Não é bairrismo. É reverência ao talento dos nossos compositores. Odorico, de tradicional família passo-fundense com a arte nas veias, diz que “a ideia é divulgar a obra dos sambistas de Passo Fundo. Fazer conhecido o trabalho do pessoal daqui. Se o trabalho do Sambha! resgata o samba de raiz, agora vamos resgatar o samba de Passo Fundo”. O projeto, através da Lei Aldir Blanc, é uma realização da Prefeitura Municipal de Passo Fundo, Ministério da Cultura e Governo Federal.
O samba do Sambah!
Se temos samba e por aqui falamos ‘mas bah!’, a ligação foi natural: Sambah! “Começou em 2011”, diz Odorico (voz e violão). A turma é conhecida e não perde a marcação: Paulinho Saggiorato (voz e violão), Alfredo Castaman (voz e violão), Guilherme Dal Corso (cavaquinho), Xoxo Colavin (baixo e voz) e Flávio Ribeiro (pandeiro). “Nesses 14 anos, começamos com músicas da Alcione, Demônios da Garoa e Diogo Nogueira. A gente se apresenta no Quintino, O’Vallenguer, festas particulares, teatros, shoppings ou no Espaço Rito”. E, neste sábado (100% free!) na Feira do Livro.
O samba do repertório
O samba passo-fundense é influenciado pelo jazz de Alegre Correa e dos irmãos Paulo e Gringo Saggiorato, tem um toque de MPB e do nativismo. Enfim, é samba made in Passo Fundo. Sabe aquela do público gritar ‘toca Raul’? Odorico conta que quando pedem eles tocam. “Mas tocamos Raul Boeira, porque por aqui o Raul é ele”. E Raul Boeira também está na partitura do show. “Tem, ainda, Alegre Correa, Paulinho Saggiorato, Seu Lopes, Edugas Costa, Djanira Ribeiro, Odorico Ribeiro, Ronaldo ‘Gringo’ Saggiorato, Ricardo Camargo...” enfim a turma de Passo Fundo.
O samba em três atos

O samba é um compasso binário, mas diante de tanta obra passo-fundense, a apresentação exige uma maquiada na síncope rítmica para uma divisão ternária. Sim, serão três blocos. “Começaremos com o samba e suas histórias, contando como foram feitos. Depois teremos os sambas da etnia afro-brasileira. Ainda faremos uma homenagem ao samba de Passo Fundo, nesses 14 anos de parceria com nossos autores”, completou Odorico. Aliás, ele e o Sambah! convidam Passo Fundo para entrar na roda.
SERVIÇO
O Samba da Minha Terra
Grupo Sambah!
Data: Sábado (08/11)
Horário: 17 horas
Local: Espaço Roseli Doleski Pretto
(Feira do Livro – ao lado do Teatro Múcio de Castro)


