Os agricultores da região de Passo Fundo estão aproveitando a sequência de dias ensolarados e sem chuvas para acelerar o plantio do trigo. Após semanas de instabilidade climática que vinham dificultando o andamento das atividades no campo, o tempo firme registrado nos últimos dias têm sido decisivos para que as máquinas pudessem finalmente entrar nas lavouras.
Segundo o supervisor regional da Emater, Oriberto Adami, a semeadura já alcança aproximadamente 50% do total da área prevista. “Essa janela pós-chuvas foi fundamental para a evolução do plantio do trigo. Em quatro ou cinco dias, conseguimos atingir metade da área planejada. Se o tempo continuar colaborando, com mais cinco ou seis dias de sol, devemos chegar muito próximos à totalidade da área plantada”, destaca.
A estimativa da Emater para a safra 2025 é de que o cultivo do trigo ocupe entre 108 e 110 mil hectares na região, o que representa uma redução de cerca de 7% em relação à safra anterior. De acordo com Adami, embora tenha havido apreensão entre os produtores devido às chuvas excessivas e à aproximação do fim do período de zoneamento agrícola, não houve desistências significativas até o momento. “Havia uma preocupação real. Se a sequência de chuvas tivesse persistido por mais uma semana, muitos produtores pensavam em desistir do trigo. Além do risco de perdas, plantar fora da janela ideal compromete a produtividade e atrasa a cultura seguinte, que é a soja – a principal da nossa região”, explicou.
Adami ressalta que o plantio do trigo precisa ser finalizado preferencialmente até a primeira quinzena de julho. Isso porque, além das exigências do zoneamento agroclimático, a colheita do cereal deve ocorrer entre o final de outubro e o início de novembro, para não prejudicar a implantação da soja, que deve ser semeada logo em seguida. “A soja é a cultura mais importante da safra de verão. Se o trigo for plantado muito tarde, a colheita dele se arrasta para o fim de novembro, o que compromete o calendário da soja e pode afetar diretamente a rentabilidade do produtor. Por isso, o momento atual é muito estratégico e positivo para quem ainda não concluiu o plantio”, afirma Adami.
Riscos
Apesar do avanço recente, o técnico faz um alerta quanto às condições climáticas nas próximas semanas. A chuva é necessária após o plantio, mas em volumes controlados. “Uma precipitação moderada dentro de uma semana seria o ideal. O excesso é prejudicial, principalmente porque muitas lavouras ainda estão com o solo exposto, o que pode causar erosão. É importante que o solo tenha tempo de ser coberto pelo trigo em crescimento para garantir sua proteção natural”, observa.
A região de Passo Fundo tem cerca de 700 mil hectares de área agrícola, sendo que os pouco mais de 100 mil hectares destinados ao trigo correspondem a uma parcela expressiva da agricultura de inverno. O supervisor da Emater observa que, com a modernização das máquinas, o ritmo de plantio tende a ser bastante ágil, desde que as condições do solo e do tempo sejam favoráveis. “Viajei por diversas localidades nos últimos dias e é visível o empenho dos produtores. Onde é possível plantar, as lavouras estão movimentadas. Com o uso de equipamentos modernos, conseguimos avançar rapidamente. Se o clima continuar como está, com mais três a cinco dias de sol, devemos concluir praticamente toda a semeadura dentro do prazo técnico”, projeta Adami.



