Plantio da canola avança em 70% nas lavouras da região

Expansão da oleaginosa compensa redução do trigo e altera cenário agrícola na região de Passo Fundo

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A canola está colorindo cada vez mais as lavouras da região durante o inverno - Foto: Arquivo/Ascom SeapiA canola está colorindo cada vez mais as lavouras da região durante o inverno - Foto: Arquivo/Ascom Seapi
A canola está colorindo cada vez mais as lavouras da região durante o inverno - Foto: Arquivo/Ascom Seapi
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A safra de inverno de 2026 está sendo marcada por uma forte expansão da canola na região de Passo Fundo. Favorecidos pelas condições climáticas e pela perspectiva de rentabilidade, os produtores ampliaram significativamente a área destinada à cultura, que já tem cerca de 70% da semeadura concluída dentro da janela prevista pelo zoneamento agrícola.

De acordo com o gerente regional da Emater, Oriberto Adami, o clima colaborou para o bom andamento dos trabalhos até o momento. Apesar de as chuvas registradas nos últimos dias terem reduzido o ritmo das máquinas no campo, a expectativa é de que a implantação da cultura seja finalizada nas próximas semanas. “A canola está muito bem encaminhada. Se não tivesse ocorrido a chuva da última semana, o plantio já estaria praticamente concluído. A cultura está se estabelecendo com uma população adequada de plantas, o que é fundamental para alcançar bons níveis de produtividade”, destaca.

O crescimento da área cultivada chama atenção. Em apenas um ano, a canola saltou de cerca de 6,2 mil hectares para quase 33 mil hectares na região — um avanço considerado expressivo pelos técnicos do setor.

Rentabilidade favorece avanço da cultura

Segundo Adami, a expansão da canola está diretamente relacionada ao desempenho econômico da cultura na última safra e às dificuldades enfrentadas por outras alternativas de inverno, especialmente o trigo. A combinação entre custos elevados de produção e preços pouco atrativos tem levado muitos agricultores a reconsiderar seus investimentos na principal cultura de inverno do Sul do país.

Como consequência, parte da área tradicionalmente destinada ao trigo foi ocupada pela canola. “O trigo exige um investimento elevado por hectare e, com os preços projetados atualmente, o produtor precisaria colher mais de 60 sacas por hectare para garantir uma rentabilidade satisfatória. A média regional não costuma atingir esse patamar”, explica.

Trigo começa a ganhar ritmo

Embora em menor escala, o plantio do trigo também já está em andamento. Nas regiões mais quentes, como Carazinho, Não-Me-Toque e Almirante Tamandaré do Sul, os trabalhos iniciaram mais cedo. Já em municípios de maior altitude, como Lagoa Vermelha, os produtores aguardam um período mais adequado para reduzir os riscos de geadas durante a fase de floração.

A estimativa da Emater é de que entre 30% e 40% da área prevista já tenha sido semeada. A maior concentração dos trabalhos, no entanto, deverá ocorrer entre os dias 10 e 20 de junho, período considerado ideal para o estabelecimento da cultura. A área total de trigo na região deve ficar entre 75 mil e 80 mil hectares, representando aproximadamente 15% da área cultivada com soja.

Redução de investimentos preocupa técnicos

Outro fator que preocupa os especialistas é a diminuição do nível tecnológico adotado pelos produtores que decidiram investir no cereal neste ano. Para reduzir custos, muitos agricultores estão utilizando menos fertilizantes, diminuindo os tratos culturais e optando por sementes de menor valor agregado. A estratégia ajuda a reduzir o desembolso inicial, mas pode comprometer o potencial produtivo das lavouras. “A expectativa para o trigo não é das mais favoráveis justamente porque houve uma redução nos investimentos. Isso tende a refletir diretamente na produtividade final”, observa Adami.

Aveia mantém espaço consolidado

Enquanto canola e trigo passam por mudanças importantes em área e estratégia de produção, a aveia branca segue apresentando estabilidade. A cultura ocupa aproximadamente 45 mil hectares na região e já está praticamente toda implantada. A manutenção da área está ligada à existência de um mercado consolidado, que abastece indústrias de alimentos utilizadoras do cereal na fabricação de produtos como cereais matinais, barras de cereais e aveia em flocos. “Quem cultiva aveia normalmente já possui canais de comercialização bem definidos. É uma cultura tradicional e que apresenta mercados bastante organizados”, afirma o gerente da Emater.

Além da alimentação humana, a aveia também possui demanda na nutrição animal. Em algumas regiões produtoras, como São José do Ouro, parte da produção é destinada a mercados especializados, incluindo a alimentação de cavalos de alto desempenho.

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