Área cultivada de canola cresce quase seis vezes na região

Cultura chega a 35 mil hectares e consolida mudança no cenário das lavouras de inverno

Por
· 3 min de leitura
Com maior rentabilidade, a canola está ocupando o espaço do trigo na região - Foto: Divulgação/EstadoCom maior rentabilidade, a canola está ocupando o espaço do trigo na região - Foto: Divulgação/Estado
Com maior rentabilidade, a canola está ocupando o espaço do trigo na região - Foto: Divulgação/Estado
Você prefere ouvir essa matéria?
A- A+

A safra de inverno de 2026 está confirmando uma mudança importante no perfil das lavouras da região de Passo Fundo. Impulsionada pela maior rentabilidade apresentada nos últimos anos, a canola registrou um crescimento expressivo e alcançou 35 mil hectares cultivados, área quase seis vezes superior aos cerca de 6 mil hectares plantados na safra passada.

O número também supera as projeções iniciais da Emater/RS-Ascar. Durante o período de implantação das lavouras, a estimativa era de aproximadamente 30 mil hectares, mas os levantamentos realizados após o avanço do plantio identificaram uma área ainda maior em diversos municípios da região.

Segundo o gerente regional da Emater, Oriberto Adami, a cultura está praticamente toda implantada e apresenta desenvolvimento dentro da normalidade. “Boa parte das áreas já está em fase inicial de desenvolvimento vegetativo. Houve um ajuste nos levantamentos e identificamos um aumento da área cultivada em alguns municípios, chegando aos 35 mil hectares”, explica.

Embora tenham sido registrados problemas pontuais de germinação em algumas propriedades, especialmente em função das características da semente, considerada muito pequena e sensível à profundidade de plantio, o cenário geral é considerado positivo.

Até o momento, as condições climáticas têm favorecido o estabelecimento das lavouras, reforçando as expectativas para a safra.

Rentabilidade impulsiona avanço da cultura

O crescimento da canola não ocorreu por acaso. A busca por melhores resultados econômicos tem levado os produtores a reverem suas estratégias de cultivo, e a oleaginosa tem se mostrado uma alternativa cada vez mais atrativa.

De acordo com Adami, o desempenho financeiro obtido pela cultura na última safra foi um dos principais fatores que estimularam a expansão das áreas cultivadas neste ano. “O produtor naturalmente procura investir em culturas que apresentem melhor retorno econômico. A canola entregou uma rentabilidade superior e isso acabou refletindo diretamente na ampliação das áreas plantadas”, observa.

Além do potencial produtivo, a cultura também permite uma colheita antecipada em relação ao trigo, favorecendo o planejamento das lavouras de verão. A expectativa é de que a colheita da canola ocorra principalmente durante o mês de outubro, concentrando-se na segunda quinzena. Em algumas áreas, os trabalhos podem se estender até novembro, dependendo da época de semeadura e das condições climáticas.

Trigo perde área e registra redução de 26%

Enquanto a canola avança, o trigo segue o caminho oposto. A cultura teve redução de 26% na área cultivada na região em comparação com a safra anterior. O plantio do cereal está praticamente concluído, restando apenas áreas pontuais, principalmente em municípios de maior altitude, como Lagoa Vermelha e Capão Bonito do Sul, onde as temperaturas mais baixas costumam atrasar a semeadura.

Grande parte das lavouras já se encontra em fase de germinação ou desenvolvimento vegetativo inicial. Segundo Oriberto Adami, além da concorrência direta com a canola, a redução da área de trigo está relacionada aos desafios econômicos enfrentados pelos produtores.

“Hoje o trigo exige produtividades muito elevadas para garantir margens mais atrativas. Isso acaba provocando uma retração natural da área plantada, especialmente quando existem outras alternativas mais rentáveis”, explica.

Outro fator considerado pelos agricultores é o calendário agrícola. O trigo possui um ciclo mais longo e pode atrasar a implantação da soja, principal cultura de verão da região.

Frio favorece desenvolvimento das culturas de inverno

A chegada de uma nova massa de ar frio ao Rio Grande do Sul é vista com otimismo pelos técnicos da área agrícola. Embora as temperaturas baixas preocupem parte da população, elas desempenham papel importante no desenvolvimento das culturas de inverno.

Conforme Adami, o frio previsto para os próximos dias está dentro da normalidade para esta época do ano e deve beneficiar especialmente o trigo e a aveia, que ingressam em uma fase importante de perfilhamento.

Além disso, as baixas temperaturas ajudam a reduzir a incidência de algumas doenças, contribuindo para melhores condições sanitárias das lavouras. “Junho, julho e agosto são meses em que o frio é esperado e necessário para essas culturas. Neste momento ele é importante para o desenvolvimento das plantas e também para o controle natural de problemas sanitários”, destaca.

Com a implantação das lavouras praticamente concluída e condições climáticas favoráveis até o momento, os produtores acompanham agora o desenvolvimento das áreas cultivadas, enquanto a canola consolida sua posição como uma das principais apostas para a safra de inverno na região.

Gostou? Compartilhe