Carnaval traz vários caminhos para fortalecer vínculos

Teóloga Ana Beatriz Dias defende que “são muitas as formas de fazer carnaval"

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Carnaval: “beleza da cultura brasileira” – Foto – Fernando Frazão-Agência BrasilCarnaval: “beleza da cultura brasileira” – Foto – Fernando Frazão-Agência Brasil
Carnaval: “beleza da cultura brasileira” – Foto – Fernando Frazão-Agência Brasil
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 "Não existe só um carnaval. O nome deveria ser carnavais". Assim define a professora da Escola Politécnica da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) Ana Beatriz Dias, especialista em comportamento humano. A psicóloga e teóloga defende que são muitas as formas de fazer carnaval e de sentir os significados que a festa pode ter. “Essa é a beleza da cultura brasileira. Poder ir para o Sambódromo, quem gosta, ou para um show de rock. No Nordeste, tem os bonecos de Olinda; no Pará, outro tipo de carnaval; no Rio Grande do Sul, tem a carreada, que é o momento final da engorda do gado para dar início ao período de exportações, antes que comece o inverno".

Desfilar

Ana Beatriz reforça que o rito de desfilar vêm desde a antiguidade. O fato de a pessoa desfilar pela cidade com estandartes e faixas representava sempre algo vitorioso, uma alegria para o povo, a morte de um inimigo, a conquista de um território. Gradativamente, ocorre uma miscigenação, em que sai o sagrado e o religioso, e o corpo que dança passa a ocupar esse lugar simbólico, e ganha essa forma de expressão para a liberdade.

 Carnaval e espiritualidade

Para cada pessoa, o carnaval pode representar, hoje, uma forma de enxergar o ano que começa ou de entender a sua espiritualidade, comenta Ana Beatriz. Além de ser um Estado laico, o Brasil tem pessoas que pertencem a inúmeras denominações religiosas. Para os jovens, em especial, o carnaval representa poder extravasar e curtir a liberdade sexual, acrescenta a pesquisadora. Já para os católicos, sobressai a questão da espiritualidade, porque o carnaval vai ser o momento em que, pela última vez, vai se comer carne. "Para esses, é um período de purificação, de jejum, de fazer boas práticas, de conversão, de olhar para a realidade dos outros”.

Celebração à vida

Ana Beatriz destaca que o carnaval ganha força com a possibilidade de se reunir em grupo para seguir alguma determinada tradição ou renunciar a uma determinada coisa, como a carne. A linguagem do carnaval e da cultura propriamente dita, analisou ela, é uma forma de demonstrar como a pessoa se relaciona com o próprio corpo, seja fugindo de normas rígidas, seja evitando o excesso e se cuidando mais. “A cultura popular, seja qual for a festa, vai ter muitas formas de leitura".

 

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