O encontro entre os presidentes Lula e Donald Trump, na Casa Branca, nessa quinta-feira (7), foi "muito produtivo", informou o líder dos Estados Unidos pelas redes sociais.
Segundo a postagem, a agenda tratou de diversos temas, incluindo comércio, com destaque para as tarifas impostas às exportações de produtos brasileiros. Foram três horas de conversa, informou o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira.
Essa viagem a Washington vinha sendo articulada desde março, mas acabou sendo adiada por causa do início da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
Trump chamou Lula de "o dinâmico presidente do Brasil" e informou que representantes dos dois países têm reuniões agendadas para discutir alguns pontos-chave. Disse ainda que outras reuniões serão agendadas para os próximos meses, se necessário.
Segundo o governo brasileiro, outros temas bilaterais tratados foram o combate ao crime organizado transnacional e minerais críticos.
Lula chegou à Casa Branca pouco depois do meio-dia (horário de Brasília). O encontro foi previamente negociado pelas equipes dos dois países, com a expectativa de tratar diversos temas, como comércio, combate ao crime organizado, além de questões geopolíticas e de minerais críticos.
Acordo
No mês passado, Brasil e Estados Unidos anunciaram um acordo de cooperação mútua visando combater o tráfico internacional de armas e drogas.
A parceria prevê o compartilhamento de informações sobre apreensões feitas nas aduanas dos dois países, de forma a viabilizar uma investigação célere de padrões, rotas e vínculos entre remetentes e destinatários de produtos ilícitos.
Histórico
A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos atravessa, desde 2025, uma fase de tensões decorrentes da política tarifária adotada pelo presidente Donald Trump, que retomou medidas protecionistas já observadas no seu primeiro mandato.
O ciclo de disputas começou com a imposição de tarifas de 25% sobre as importações de aço e alumínio, afetando diretamente o Brasil – um dos principais fornecedores desses produtos ao mercado norte-americano.
As justificativas apresentadas pelos EUA para tais medidas combinavam argumentações econômicas e políticas.
Houve também críticas à Suprema Corte do Brasil, no contexto das decisões do Judiciário brasileiro relacionadas ao processo envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelos atos golpistas que culminaram com o 8 de janeiro de 2023.
Em abril, os Estados Unidos adotaram tarifas adicionais sobre diversos produtos brasileiros, sob o argumento de falta de reciprocidade comercial. O governo brasileiro intensificou algumas tratativas diplomáticas e, mais adiante, levou o tema à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Além disso, o Brasil fortaleceu alguns de seus instrumentos legais, como medidas de reciprocidade e retaliação, na tentativa de evitar uma escalada ainda maior por parte do governo dos EUA.
No fim de 2025 e no início de 2026, houve recuo parcial dos Estados Unidos, com exclusões de produtos e substituição do tarifaço por uma tarifa global temporária de cerca de 10%. Setores como aço e alumínio, porém, seguem com taxas elevadas.



