Fernanda Bruni/ON
Na audiência pública realizada na tarde de ontem, na Câmara Municipal de Vereadores, sobre o problema do aterro sanitário do município, o Secretário do Meio Ambiente de Passo Fundo, Clóvis Alves (PSB), apresentou a possibilidade de ser adquirida uma nova tecnologia para tratar da destinação do lixo em Passo Fundo. Uma das alternativas apresentadas está uma existente no município de Unaí, Minas Gerais, que transforma toneladas de lixo em carvão. “É colocada uma tonelada de lixo dentro de um forno isolado, e sai do outro lado 150 quilos de carvão. A princípio não fica resíduo”, destacou.
O secretário foi categórico ao dizer que não será comprada nenhuma tecnologia que não seja aprovada pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam). “Queremos uma tecnologia que não emita gases, que evite o chorume, que não deixe passivo e que seja compatível com o custo. Os custos são entre R$ 70 a R$ 150 a tonelada. Nós queremos ficar nos R$ 70. Passo Fundo tem 3. 300 toneladas de lixo por mês. Então, R$ 250 mil nós teremos que separar para destinação final do resíduo”, comentou.
Em nenhum processo, disse Alves, está se excluindo a questão social que é uma prioridade da política, seja da coleta, seja da destinação. “Não queremos mais ver pessoas puxando carrinhos, usando cavalo magro para puxar lixo. Isso é coisa do passado. A nossa bandeira número um é dar solução para a coleta e para a destinação do lixo quebrando preconceitos”, pontuou. Uma comissão deverá ser montada para visitar uma outra tecnologia em Santa Catarina, na cidade de Ituporanga. “Queremos ver no mínimo três alternativas para poder optar pela melhor”, acrescentou.
Estiveram presentes, também, promotor de Justiça, Paulo Cirne, representando o Ministério Público, o Coordenador de Fiscalização e Licenciamento Ambiental, Glauco Polita (PSB), do presidente da Comissão de Educação e Bem Estar Social (Cebes) e vereador Juliano Roso (PC do B), e os e também membros da Cebes, vereadores Patric Cavalcanti (DEM), Alberi Grando (PDT) e José Eurides de Moraes (PSB).
O promotor Paulo Cirne afirmou que o Ministério Público está cobrando do município ações para se chegar a uma solução. “Primeiro é importante a recuperação do aterro após encerrada a sua operação, segundo, o licenciamento de uma nova área, o que é demorado, e, em terceiro lugar, uma providência emergencial para uma destinação correta do lixo de Passo Fundo enquanto não se inicia a operação do novo aterro. Além disso, também precisamos pensar no desenvolvimento de políticas para a coleta seletiva evitando que se enterre tanto lixo como hoje em dia”, declarou.
A responsabilidade da destinação do lixo é do poder público. O promotor comentou que há, entretanto, a necessidade de uma conscientização da sociedade quanto a separação do lixo. “Porém, não se pode colocar a responsabilidade na sociedade. Muito pelo contrário, a sociedade, irá cada vez mais gerar lixo na medida em que há acesso maior ao consumo das classes sociais em geral. Cabe ao poder público se mobilizar para atender essa demanda crescente de resíduos, sendo que o lixo é algo rentável. A população deve ser instruída para separar melhor o seu lixo. Nós reaproveitaremos melhor o material reciclado e enterraremos menos lixo que é realmente o que despendo mais o poder público”, finalizou.
O vereador Juliano Roso avaliou a audiência como positiva. “A rigor teve mais relatos e reclamações do que encaminhamentos. Mesmo assim, foi numa audiência muito vitoriosa, primeiro pela quantidade de pessoas que vieram o que demonstra que a população está atenta a essa questão, segundo pela qualidade e representatividade das entidades quês estiveram presentes. Acho positivo o secretário Clóvis apresentar concretamente novas tecnologias. E o promotor Paulo ter demonstrado interesse em encontrar uma saída judicial para esse problema”, destacou.
Entidades
Representantes de entidades estiveram presentes também puderam se pronunciar na audiência. A Codepas disse que conduz ao aterro sanitário 140 toneladas de lixo todos os dias. Falou que é necessária a conscientização de cada cidadão para fazer a sua parte através da separação correta do lixo. Mas, do jeito que está, pode fazer quantos aterros quiser que não vai dar conta.
O grupo ecológico Sentinela dos Pampas destacou que todas as administrações não conseguiram vislumbrar os problemas do lixo. Precisa ter profissionais para resolver esse problema.
A Secretaria Estadual do Meio Ambiente destacou que o problema é difícil de resolver pela quantidade de lixo que é gerado. Sugeriu uma vistoria conjunta para encontrar novas áreas e ofereceu ajuda para que se encontre uma solução para esse problema, na direção do desenvolvimento e da sustentabilidade.
A Universidade de Passo Fundo se colocou à disposição para ajudar com pesquisas de novas tecnologias. Outras entidades se fizeram presentes, mas preferiram não se pronunciar.


