Plataforma classifica Passo Fundo com alta capacidade de adaptação a enchentes

Indicador contrasta com cenário nacional, no qual dois terços dos municípios apresentam baixa preparação para eventos extremos

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Manutenção das estações meteorológicas do município está entre as medidas preventivas - FOTO: PMPF/DIVULGAÇÃOManutenção das estações meteorológicas do município está entre as medidas preventivas - FOTO: PMPF/DIVULGAÇÃO
Manutenção das estações meteorológicas do município está entre as medidas preventivas - FOTO: PMPF/DIVULGAÇÃO
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Enquanto 66% dos municípios brasileiros possuem baixa ou muito baixa capacidade de adaptação a inundações, enxurradas e alagamentos, Passo Fundo aparece com um indicador considerado alto para enfrentar os impactos desses eventos climáticos. Os dados são da plataforma AdaptaBrasil, desenvolvida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

De acordo com a plataforma, Passo Fundo registrou índice de 0,71 de capacidade de adaptação a inundações, enxurradas e alagamentos, classificação considerada alta. Já em relação a deslizamentos de terra, o município obteve índice de 0,57, enquadrado na faixa de capacidade média.

O levantamento ganha relevância diante da confirmação de um novo episódio do El Niño, fenômeno climático que pode provocar volumes elevados de chuva e aumentar o risco de desastres relacionados a enchentes, alagamentos e movimentos de massa em diferentes regiões do país.

Como funciona a avaliação

A plataforma utiliza indicadores que variam de zero a um para medir a capacidade dos municípios de se adaptarem aos impactos das mudanças climáticas. A avaliação considera fatores como infraestrutura, planejamento, monitoramento, capacidade institucional e ações de prevenção e resposta a desastres naturais. Quanto mais próxima de um a pontuação, maior a capacidade de adaptação do município.

Região com indicadores positivos

Outros municípios da região também apresentam resultados acima dos níveis considerados baixos pelo estudo. Marau registrou índice de 0,60 para enchentes e 0,65 para deslizamentos, ambos classificados como altos. Em Carazinho, os indicadores são de 0,67 para inundações e 0,53 para deslizamentos. Já Soledade alcançou 0,70 para enchentes e 0,55 para movimentos de massa.

No cenário nacional, porém, a realidade é diferente. Segundo a pesquisa, 3.668 municípios brasileiros possuem baixa ou muito baixa capacidade de adaptação a inundações, enxurradas e alagamentos. Em relação aos deslizamentos, são 3.736 cidades com índices considerados insuficientes.

Preparação diante do El Niño

Embora os indicadores não meçam diretamente o risco de ocorrência de enchentes ou deslizamentos, eles avaliam a capacidade dos municípios de prevenir, monitorar e responder a eventos climáticos extremos.

Em Passo Fundo, o resultado coincide com uma série de ações que vêm sendo adotadas pelo município para enfrentar possíveis impactos do El Niño. Neste mês, a Prefeitura apresentou o Plano de Ação El Niño 2026, que reúne estratégias preventivas e protocolos de resposta para situações de emergência.

Entre as medidas previstas estão a atualização do mapeamento das áreas de risco em parceria com o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a revisão do Plano de Contingência Municipal, o monitoramento permanente do Rio Passo Fundo e dos arroios Santo Antônio e Miranda, além da manutenção das estações meteorológicas e pluviômetros utilizados para emissão de alertas.

O plano também contempla obras de contenção em áreas vulneráveis, limpeza e desassoreamento de rios e arroios, aquisição emergencial de lonas plásticas e o desenvolvimento de um aplicativo voltado ao mapeamento social das áreas de risco. Outra medida é a ampliação da rede de monitoramento hidrológico do município, com a realocação de uma estação pluviométrica para a ponte do Rio Passo Fundo, na Avenida Brasil.

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