Apostando na diversidade

Bambas da Orgia busca o tetra campeonato no desfile do próximo sábado

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O jargão futebolístico que diz “em time que está ganhando não se mexe” também está sendo aplicado no carnaval de rua de Passo Fundo. Para buscar o tetracampeonato, a Bambas da Orgia vai repetir uma receita que vem dando certo nos últimos anos: a parceria com escolas da Capital. 

Para este ano, a verde-rosa pretende trazer de Porto Alegre uma ala de 15 baianas e outra com oito mulatas, além de um casal de mestre- sala e porta-bandeira. Bonecos de isopor para os carros alegóricos também estão no pacote. “A parceria é uma forma de suprir carência de especialista em alguns setores da escola” diz o presidente dos bambas, Edemur Gabriel Moreira.

Para manter a hegemonia dos últimos três anos, os bambas levarão para a Avenida Sete de Setembro, o enredo “Diversidade dos povos de Passo Fundo ao Rio Grande do Sul”, assinado pelo carnavalesco Ramon Gandez. São 350 componentes, divididos em 11 alas, e quatro carros alegóricos.

Restando menos de uma semana para o desfile, os preparativos no barracão devem se intensificar na reta final. “Por enquanto estamos trabalhando apenas de dia, mas a partir de segunda-feira, devemos varar a madrugada se for preciso” diz uma integrante da equipe. O samba-enredo mais uma vez será interpretado por Vinícius Machado, eleito melhor intérprete do ano passado.

De acordo com o presidente, 70% das fantasias já estão prontas. O trabalho agora está concentrado nas alegorias e carros alegóricos. O ensaio da escola acontece todas as noites na vila Fátima, tradicional reduto dos bambas.

Quatro décadas de carnaval
Anônimo entre os cerca de 70 ritmistas da escola Bambas da Orgia, um dos foliões mais tradicionais de Passo Fundo pisará novamente na Avenida  Sete de Setembro  para ajudar sua escola do coração na conquista do tetracampeonato. A cada ano que passa, o aposentado Avelino de Oliveira, 62 anos, pensa em abandonar os desfiles, mas não resiste ao chamado do samba correndo nas veias.

“Sempre digo que vou  parar, mas quando o carnaval se aproxima, já estou envolvido” conta.  Mickey, como é conhecido pelos amigos, começou a escrever sua história nos desfiles de rua de  Passo Fundo a partir de 1973. Antes disso, já havia desfilado em outras cidades. Desde lá, defendeu  escolas tradicionais  como Visconde do Rio Branco, Particulares do Ritmo, Mocidade, Caixeiral, Industrial e Juvenil, até chegar nos Bambas, onde está há 17 carnavais.
 
Avelino não guarda recortes de jornais e nem fotos dos desfiles. As histórias estão apenas em sua memória, como o inesquecível ano de 1993, quando realizou o sonho de desfilar no carnaval do Rio de Janeiro, pela Caprichosos de Pilares. “É a maior festa do mundo” comenta.
        
Dos cinco títulos conquistados em Passo Fundo, um deles é considerado mais especial. “Em2010 a Bambas da Orgia completou 20 anos, e ganhou o primeiro carnaval da série de três. Quando anunciaram o resultado, não deu para segurar. Chorei muito com aquele título”, conta o ritmista, que tem no agogô seu instrumento preferido. Enquanto prepara alguns adereços, Avelino não esconde a ansiedade ao falar sobre a possibilidade de conquistar o tetra. “Vamos buscar com certeza, estamos trabalhando muito para isso” afirma.         

Primeira vez na avenida

Além da experiência de Avelino, os Bambas terão pelo menos uma estreante na avenida. Acostumada a torcer pela verde-rosa da arquibancada, a jovem Larissa Lima, 24 anos, este ano decidiu ajudar a escola do coração do alto de um carro alegórico. Ela será destaque no abre-alas dos Bambas da Orgia, terceira escola a entrar na avenida no próximo sábado. Desde quinta-feira, ela é uma das voluntárias na confecção dos adereços da escola. “Sempre fui dos bambas, mas nunca tinha desfilado, esse ano a emoção será ainda maior” garante.

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