Amparo extra-hospitalar

Há um ano, Aapecan abriu as portas para acolher pacientes em tratamento contra o câncer

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A Aapecan possui capacidade para acolher 24 pessoas em Passo FundoA Aapecan possui capacidade para acolher 24 pessoas em Passo Fundo
A Aapecan possui capacidade para acolher 24 pessoas em Passo Fundo
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A voz serena e firme que se ouve pelos corredores da Associação de Apoio a Pessoas com Câncer (Aapecan) pertence ao amazonense Luís Carlos Pereira Baltezan. Há sete meses, o agricultor deixou o município de Novo Auripuanã, distante 300km da capital Manaus, rumo a Passo Fundo para iniciar os tratamentos de radioterapia e quimioterapia depois de ter sido diagnosticado com um tumor no intestino. No intervalo entre um procedimento e outro, ora no Hospital de Clínicas (HC), ora no Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), ele ocupa um dos seis quartos disponibilizados pela Aapecan, na Vila Luiza, para repousar. A entidade, instalada há um ano no município, disponibiliza leitos, alimentação e suprimentos de forma gratuita aos pacientes em condição de vulnerabilidade social em tratamento contra as mais distintas manifestações de tumores malignos. “O nosso trabalho é exclusivamente social”, pontua o coordenador da Aapecan em Passo Fundo, Guilherme Guido de Pinho. Assim como ele, 22 funcionários, incluindo os cuidadores noturnos, e 7 voluntários dividem os turnos de atuação para assegurar a assistência necessária aos usuários do espaço. “Através do telemarketing, são feitas as captações de doações. Algumas pessoas ou empresas doam em dinheiro, mas há quem faça a colaboração por meio de alimentos, roupas, materiais de higiene e até cabelos para a confecção de perucas”, afirma. De acordo com ele, a organização não possui qualquer investimento ou recurso público. A solidariedade é o que mantém as portas abertas aos usuários municipais e do interior de cidades da região, como Soledade, Vila Maria e Lagoa Vermelha, quando se deslocam para serem submetidos às sessões de medicamentos utilizados no combate ao câncer. “O trabalho é feito para que as pessoas sejam reconhecidas como seres humanos. Muitas abandonam o tratamento pelo gasto com transporte e por não conhecerem as casas de apoio”, completa o jornalista e assessor de comunicação da entidade, Caetano Barreto. Com o amparo profissional psicológico e de assistência social, a associação é também um ambiente de histórias protagonizadas por vidas humanas. “Na doença, a pior coisa é não ter apoio”, desabafa Luís. Ao lado da esposa, Sara Baltezan, e de um cunhado, o amazonense radicado na Capital do Planalto Médio indica, com parte da blusa xadrez afastada, os inúmeros procedimentos médicos que realizou nos últimos meses e que, seja pelas cicatrizes de pós-operatório ou dispositivos subcutâneos aparentes. “Estou um pouco tonto pela anestesia”, antecipa-se. “A Aapacan deveria existir no país todo porque ela abraçou todo mundo [referindo-se aos seus]. Somos como uma família”, reporta-se.

Apoio extendido em 14 cidades gaúchas

Passo Fundo, “por ser um polo médico oncológico de referência”, como menciona o coordenador da Aapecan, na cidade, Guilherme Guido, foi o último município onde a organização extendeu os atendimentos sociais. Em junho, a casa de apoio celebrou um ano de funcionamento e prestação de auxílio pelo tempo necessário a cada paciente e seu acompanhante. “Nós vamos até a cidade do paciente e ele é encaminhado para cá pela assistência social, conforme a situação de baixas condições financeiras”, explica. Com capacidade para comportar até 24 pessoas, a Aapecan possui depesas mensais que, em média, são fixadas em R$ 55 mil reais ao mês, conforme revelou Guido. Além do núcleo em Passo Fundo, a organização conta com 14 unidades de atendimento e dez Casas de Apoio no Rio Grande do Sul.

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