Comitê sugere criação de praça em homenagem às vítimas da pandemia em Passo Fundo

Indicação ao Executivo Municipal deverá ser votada nos próximos dias na Comissão de Patrimônio

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No mesmo espaço, no ano passado, foi fixado um o Memorial Popular às Vítimas da Covid-19 em Passo Fundo (Foto: Lucas Marques/Arquivo ON)No mesmo espaço, no ano passado, foi fixado um o Memorial Popular às Vítimas da Covid-19 em Passo Fundo (Foto: Lucas Marques/Arquivo ON)
No mesmo espaço, no ano passado, foi fixado um o Memorial Popular às Vítimas da Covid-19 em Passo Fundo (Foto: Lucas Marques/Arquivo ON)
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O Conselho Municipal do Meio Ambiente sugeriu a criação de uma praça em homenagem aos passo-fundenses vítimas da pandemia da Covid-19. Protocolada na última quinta-feira (29) pela vereadora Eva Valéria Lorenzato (PT), a indicação ao prefeito, Pedro Almeida (PSB), deve ser votada nos próximos dias na Comissão de Patrimônio e de Desenvolvimento Urbano e do Interior da Casa Legislativa municipal. 

O espaço, justifica o texto que embasa a proposição, seria construído na unidade de conservação integral localizada no Parque Natural Municipal Pinheiro Torto, cuja área de 32 hectares abriga grande parte da faixa local de Mata Atlântica. “É uma área muito simbólica para o município e é uma forma significativa de manter a memória dessas vidas perdidas e prestar solidariedade às famílias”, disse a vereadora ao jornal O Nacional na terça-feira (4). 

Nesta mesma localidade, lembra a parlamentar, o Comitê Popular por Saúde, Democracia e Direitos, juntamente com a comunidade da Ocupação Valinhos II, o Fórum Local da Agenda 21 de Passo Fundo, a Comissão de Direitos Humanos e a Secretaria Municipal do Meio Ambiente fizeram o plantio de uma muda de árvore para cada vida perdida pelo coronavírus na cidade, em 25 de setembro do ano passado, e fixado o Memorial Popular às Vítimas da Covid-19. Naquele dia, a cidade atingia 153 óbitos pela doença, mas oito meses depois, até a data de protocolo da indicação ao Executivo, o número de mortos pela pandemia aumentou 200%, de acordo com os cálculos feitos com base na divulgação diária do boletim epidemiológico da Secretaria Municipal de Saúde. 

Memória coletiva

Ainda na justificativa do documento, que aguarda a designação de um relator na comissão interna da Câmara de Vereadores, o secretário Executivo da Agenda 21 de Passo Fundo, Ademar Marques, defendeu a construção do memorial coletivo. "Neste local, que é simbólico para nós ambientalistas por estarmos falando de uma unidade de conservação integral, vive uma comunidade lindeira ao próprio parque, que poderá não só estar cuidando da praça e das árvores lá plantadas, mas, simbolicamente, fazer memória àquelas pessoas perderam as suas vidas para a pandemia”, argumentou. “Precisamos também valorizar o espaço popular para sair um pouco de centralizar as coisas no município”, acrescentou a vereadora ao se referir sobre a utilização dos espaços em zonas periféricas da cidade. 

Caso a indicação, que não passa por votação em plenário, seja aceita pelos relatores e pelo Executivo Municipal, explicou Eva, os estudos de viabilidade terão início para determinar custos. O financiamento, como mencionou, viria de um fundo do próprio Conselho Municipal de Meio Ambiente. “Precisamos lembrar que as vítimas não são apenas estatísticas. Eram vidas, tinham famílias, amigos e amigas, projetos e sonhos”, citou a indicação. 

Parque

Os esboços de um possível memorial apontam para uma área cercada de uso comum da população local no bairro Valinhos. A área, criada em abril de 2011 próximo à Reserva Maragato, busca preservar os ambientes naturais ali existentes, bem como proporcionar a realização de pesquisas científicas e desenvolver atividades de educação, recreação e turismo ecológico.

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