ON 96 anos: a mesma credibilidade desde o tempo do clichê

A mesma credibilidade desde os tempos do clichê até as mídias eletrônicas

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Diante dos 96 anos de O Nacional, eu sou apenas um guri que se infiltrou na mídia há 45 anos. Tive o privilégio de conversar com o Seu Múcio em sua concorrida mesa de trabalho. Muitos papéis, fotografias e uma máquina de escrever. Curioso, eu já observava os mistérios que envolviam a confecção de um jornal. Havia recortes de madeira cobertos com metal. Eram os clichês, utilizados para imprimir imagens no jornal. Hoje, seria o equivalente a digitalização de uma foto. Já estavam em desuso, pois O Nacional ingressava no sistema offset. Metido, fui espiando pelas salas. Em uma delas estavam enormes pastas recheadas com exemplares. Soube tratar-se do arquivo. Ora, eu estava diante da história de Passo Fundo e da região. A redação ao final da tarde era ponto de encontro para as cabeças pensantes, um ensaio para a grande reunião em 19 de junho.

Impacto e responsabilidade

Depois de visitas protocolares, aumentei o ritmo da minha peregrinação até O Nacional. Levava textos, buscava exemplares ou tinha acesso ao arquivo para pesquisar. Já era de casa, quando chegou a minha hora de trabalhar na redação. Mesa cheia de papeis e a máquina de escrever. O grande impacto veio no dia seguinte, orgulhoso ao ver o meu texto impresso. Ali compreendi que as palavras que estavam no Jornal eram definitivas. Não dava mais para passar a borracha e apagar alguns errinhos. E, responsabilidade maior, iria para o arquivo, onde permanece arquivada. Hoje a tecnologia é outra. Mas esses valores não mudaram. E ainda tenho a mesma sensação de orgulho ao manusear uma edição em que coloquei um dedinho.

Telégrafo e fax

O tempo é a unidade que mede a fantástica evolução do Jornal. Antes, as notícias chegavam em papeis datilografados ou escritos a mão. As ligações telefônicas vieram depois. O noticiário nacional e internacional era conhecido como telegráfico. Sim, as notícias eram captadas pelas ondas curtas do rádio em código Morse. Telegrafistas decodificavam os sinais e passavam os telegramas para a redação. O telégrafo foi substituído pelo teletipo, um barulhento aparelho que trazia textos praticamente prontos, que logo foi substituído pelo telex. Depois, numa grande evolução, chegou o fax, que funciona através de ligações telefônicas. Lembro quando foi morto no Paraná um dos integrantes da quadrilha dos irmãos Campos, que havia aterrorizado Passo Fundo. Não havia tempo para enviarem a foto pelo ônibus. Então, conseguimos um fax da fotografia praticamente sem definição de imagem. Com ajustes feitos no lápis e muito trabalho na preparação gráfica, saiu na capa. Foi impresso. Basta conferir no arquivo.

Computadores e fotografias

Chegaram os primeiros computadores e O Nacional foi o primeiro jornal do Interior a informatizar a redação. Telas monocromáticas e nada de fotos, apenas textos. Foi uma mão na roda e diminuiu o trânsito dos papeis. A diagramação, que era uma montagem manual de textos, fotos e anúncios, aposentou a fita Durex e ingressou em programas de designer gráfico. A fotografia exigia a revelação do filme e ampliação, antes de ser digitalizada. Era uma correria. Outras chegavam pelos Correios e os fotolitos com anúncios vinham de avião. Depois, era possível receber fotos por ligação telefônica com as agências de notícias. Uma modernidade que permitia baixar uma fotografia em fantásticos 40 minutos! Assim, a imagem daquilo que ocorrera no Brasil e no mundo chegava de manhã na casa dos assinantes, uma agilidade que multiplicou a credibilidade do jornal.

Rotativas e colorido

Se o papel impresso é importante, a impressão é fundamental. O Nacional utilizava uma máquina que imprimia enormes folhas. Isso exigia um corte manual para separar as páginas. A chegada das rotativas revolucionou o processo industrial. Logo a tinta preta ganhou a companhia de magenta, ciano e amarelo. Enfim, tínhamos um jornal colorido. Nos primeiros dias, a implantação das cores agitou os passos entre redação, diagramação e impressão. Mas logo tudo se ajustou e esse caminho transformou-se num arco-íris. Foi impactante, pois naquela época apenas alguns jornais das capitais estampavam fotografias coloridas. Foi quando a credibilidade trocou os tons de cinza pelas cores do espectro.

Aqui e no mundo

Enfim, chegou a internet. O papel entrou na rede e ganho formato de e-mail. Conexão direta com agências de notícias e acesso aos mais diversos segmentos. A mesma foto dos clichês da mesa do Seu Múcio não necessitam mais revelação de filmes ou 40 minutos de espera para transferência. Clicou, baixou. Manda por Whats, salva em nuvem. Redes internas, redes externas e a confecção do papel impresso ficou mais rápida. Ganhou novos braços, mostrando nas telas do mundo a informação que a tinta imprimiu. Site, redes sociais e a mesma credibilidade. Por quê? Ora, porque são tentáculos eletrônicos de um jornal impresso. São 96 anos em paralelo com a metamorfose da informação. Assim, ligado às novas mídias, O Nacional multiplica o valor do papel com a tinta que está nos arquivos. É impresso. É palpável.

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