Área de milho deve crescer 12% na região de Passo Fundo

Expectativa é que as lavouras ocupem 84 mil hectares na região, 10 mil a mais do que na safra passada

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Este período marca o início da implantação das lavouras de milho - Foto: Emater-RS/ASCAR/DivulgaçãoEste período marca o início da implantação das lavouras de milho - Foto: Emater-RS/ASCAR/Divulgação
Este período marca o início da implantação das lavouras de milho - Foto: Emater-RS/ASCAR/Divulgação
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A região de Passo Fundo deve registrar um aumento significativo na área destinada ao cultivo de milho na safra que começa a ser implantada. Conforme levantamento da Emater, a expectativa é de que sejam cultivados aproximadamente 84 mil hectares com a cultura, contra 74 mil hectares registrados na safra passada. O incremento representa cerca de 10 mil hectares a mais e uma expansão próxima de 12%.

De acordo com o gerente regional da Emater em Passo Fundo, Oriberto Adami, o período atual marca o início da implantação das lavouras de milho, com setembro concentrando a maior parte do plantio. As áreas destinadas à cultura já estão, em grande parte, dessecadas e aguardam condições adequadas de umidade e de tempo para que os produtores possam avançar com a semeadura. “O produtor agora está na fase, já iniciando o plantio do milho.

Então o milho é mais setembro o plantio, então praticamente com as áreas destinadas ao milho já dessecadas, e algumas áreas já, no que o tempo melhorar, já iniciar o plantio”, explica Adami.

Aumento da área busca fortalecer a rotação de culturas

Apesar do crescimento projetado para o milho, a Emater considera que a área poderia ser ainda maior, especialmente pela importância da cultura dentro do sistema de rotação com a soja. A ampliação do milho ocorre em um cenário de estabilidade relativa da principal cultura de verão cultivada na região.

A área de soja deve apresentar uma pequena redução, passando de aproximadamente 680 mil hectares na safra anterior para 670 mil hectares nesta temporada. A diferença representa uma queda de cerca de 10 mil hectares, ou aproximadamente 1,5%.

Diversificar

Segundo Adami, parte dessa área acaba sendo destinada ao milho. A estratégia de ampliar a presença da cultura é considerada importante para diversificar os sistemas produtivos e melhorar a rotação das lavouras. “O ideal seria termos uma área ainda superior, focando na rotação de culturas com a soja”, destaca o gerente regional.

Enquanto o milho começa a ganhar espaço nas propriedades, a soja terá seu período principal de implantação mais adiante, especialmente entre o final de outubro e o mês de novembro. Também existe a perspectiva de implantação de áreas de soja sobre as chamadas restevas de trigo.

Plantio do milho depende das condições do tempo

O avanço da semeadura, entretanto, estará diretamente condicionado às condições climáticas. Depois de períodos marcados por estiagens nos últimos anos, os produtores agora convivem com outro problema: a ocorrência de chuvas muito intensas e concentradas.

Para Adami, o cenário ideal seria de precipitações distribuídas ao longo do tempo, sem grandes volumes acumulados em períodos muito curtos. A irregularidade das chuvas pode trazer dificuldades não apenas para o desenvolvimento das plantas, mas também para o acesso às propriedades e para a própria infraestrutura rural. “É importante que chova, a gente vê um período de seca, acumulados prejuízos constantes nos últimos anos, com estiagem, mas também o excesso”, observa.

O gerente regional ressalta que o problema não está necessariamente na ocorrência de chuva, mas na forma como ela tem acontecido. Grandes volumes em períodos reduzidos podem provocar erosão, dificuldades de trânsito nas estradas rurais e problemas para a realização das operações agrícolas. “O que a gente precisa são chuvas escalonadas e moderadas. E o que tem acontecido é chuvas de alta precipitação e concentradas num curto período, isso cria transtornos para as culturas e também para a logística, para a infraestrutura dos municípios”, afirma.

Granizo provoca perdas em lavouras de inverno

O principal problema registrado recentemente foi a ocorrência de granizo. Os eventos foram localizados, mas atingiram diferentes pontos da região nos últimos dias. Onde as pedras de granizo atingiram lavouras de trigo e canola em fases mais avançadas de desenvolvimento, os danos foram severos nas lavouras de inverno.

Conforme Adami, quando o granizo atinge as culturas justamente durante fases como emborrachamento, espigamento, floração e formação de grãos, as perdas podem chegar praticamente à totalidade da produção. “Então onde ocorreu e tinha essas culturas, praticamente o trigo, também espigamento, o emborrachamento e a canola nessa fase, houve perda total”, relata.

Na última semana, uma das áreas de maior preocupação foi a região de Paim Filho. Parte das lavouras foi atingida por um episódio considerado severo de granizo, e levantamentos estão sendo realizados para dimensionar os prejuízos. Maximiliano de Almeida também registrou danos, além de outras localidades da região.

A avaliação dos estragos ainda está em andamento, mas, nas áreas atingidas diretamente pelos eventos mais severos, a perspectiva é de perdas muito elevadas.

Preocupação se estende às culturas de verão

A ocorrência frequente de granizo também gera preocupação para as culturas de verão, principalmente milho e soja, que estarão entrando em campo nas próximas semanas.

O milho, que começa agora a ser implantado, permanecerá exposto às condições climáticas durante seu ciclo de desenvolvimento. A soja, por sua vez, terá o plantio concentrado principalmente no final de outubro e em novembro.

Adami alerta que a continuidade de eventos severos, especialmente aqueles acompanhados por granizo, pode representar um risco significativo para as culturas de verão. “Mas também em breve, com milho e soja, se continuar ocorrendo dessa forma, é preocupante, porque onde ocorre, provoca grandes perdas”, ressalta.

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