RS lança campanha para reforçar o combate à violência contra a mulher

Passo Fundo registra redução em feminicídios e ameaças, porém índices seguem preocupantes

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No Rio Grande do Sul, o número de feminicídios consumados subiu de 189 para 220 casos — um aumento de mais de 16% - FOTO: AGÊNCIA BRASILNo Rio Grande do Sul, o número de feminicídios consumados subiu de 189 para 220 casos — um aumento de mais de 16% - FOTO: AGÊNCIA BRASIL
No Rio Grande do Sul, o número de feminicídios consumados subiu de 189 para 220 casos — um aumento de mais de 16% - FOTO: AGÊNCIA BRASIL
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O Governo do Estado lançou na última quarta-feira (3) a campanha “Não maquie, denuncie”, que reforça a prevenção e o combate à violência contra as mulheres. O ato ocorreu no Palácio Piratini e reuniu entidades de atendimento, movimentos sociais e organizações civis. A proposta, articulada pela Secretaria da Mulher e pela Secretaria de Comunicação, utiliza a maquiagem como metáfora para expor aquilo que muitas vezes é escondido.

A diretora de Publicidade e Marketing da Secretaria de Comunicação, Natacha Gastal, ressaltou que as barreiras à denúncia também são culturais. “A violência não começa no feminicídio. Ela começa nos pequenos sinais, nas agressões invisíveis, nas frases normalizadas”, destacou.

Comparativo no estado

Os dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública mostram oscilações importantes entre 2024 e 2025 (janeiro a outubro).

No Rio Grande do Sul, o número de feminicídios consumados subiu de 189 para 220 casos — um aumento de mais de 16%. Também houve crescimento nas tentativas, que passaram de 57 para 69. Por outro lado, outras formas de violência apresentaram melhora: as ameaças diminuíram de 22.903 para 25.890, e os estupros caíram de 2.079 para 1.931. Já as lesões corporais tiveram queda de 15.103 para 14.732.

Passo Fundo registra queda nos indicadores

Em Passo Fundo, a comparação revela um cenário mais positivo. Entre janeiro e outubro de 2025, o município não registrou feminicídios consumados, frente a dois casos no mesmo período de 2024. As tentativas caíram pela metade, de seis para três.

Também houve redução nos casos de ameaça (720 para 666), estupro (51 para 38) e lesão corporal (352 para 326).

A coordenadora da Coordenadoria da Mulher do município, Maria Luci da Silva, destaca que, apesar das reduções, os números ainda preocupam. “Ameaça teve um total de 666, o que nos preocupa. Estupro também é um índice bem alto. Estamos trabalhando em cima desses números para que possamos diminuir ainda mais”, afirmou.

Rede de atendimento fortalecida

À frente da Coordenadoria há pouco mais de dois meses, Luci reforça que o combate à violência começa antes da agressão física. “A violência contra a mulher nasce na desigualdade, no machismo, na omissão e no medo”, explicou. Ela ainda reforça que o enfrentamento exige investimento em informação, educação, proteção, punição aos agressores e fortalecimento da rede.

Em Passo Fundo, essa rede é ampla e articulada, reunindo CRAM, Casa de Acolhimento, Associação da Mulher, a própria Coordenadoria e o COMDIM. “Hoje estamos muito bem amparados na rede de atendimento”, afirma.

Entre as ações recentes, Luci cita a mobilização dos 21 Dias de Ativismo, com a campanha Laço Laranja – Diga Não à Violência, realizada na Praça do Teixeirinha. O objetivo foi sensibilizar a população sobre canais de denúncia, ciclo da violência e formas de agir diante de uma agressão. “Cada pessoa precisa ser parte da mudança, acolhendo, informando e denunciando”, destacou.

Planejamento e metas para 2026

Mesmo com pouco tempo de atuação em 2025, Luci avalia que o ano foi marcado por avanços na articulação e na qualificação da escuta às vítimas. Os atendimentos individuais na Coordenadoria incluem orientação, acolhimento e encaminhamento às políticas públicas adequadas.

O foco para 2026 será a prevenção, sobretudo nas escolas. “Precisamos trabalhar já nas séries iniciais. Depois de certo ponto, fica mais difícil. Então queremos atuar muito na base”, disse.

Ela reforça que o compromisso é contínuo. “Salvar vidas exige coragem, continuidade e compromisso. Combater a violência contra a mulher é reafirmar que nenhuma mulher está sozinha”, concluiu.

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