Fevereiro será marcado por calor intenso e chuvas irregulares

Mês típico de verão terá temperaturas acima dos 30 °C, noites mais quentes e precipitações mal distribuídas; cenário exige atenção de produtores rurais e da população durante o período de Carnaval

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Piscinas nos clubes sociais são ótimas opções para enfrentar  o calor - Foto – Divulgação Piscinas nos clubes sociais são ótimas opções para enfrentar  o calor - Foto – Divulgação
Piscinas nos clubes sociais são ótimas opções para enfrentar o calor - Foto – Divulgação
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O mês de fevereiro começa sob a influência de um cenário climático típico de verão no Norte do Rio Grande do Sul, com previsão de calor intenso, noites mais quentes e chuvas irregulares. As condições devem impactar tanto a rotina da população quanto o desenvolvimento das lavouras, especialmente em um período que concentra eventos e deslocamentos, como o Carnaval.

De acordo com o analista do Laboratório de Meteorologia da Embrapa Trigo, Aldemir Pasinato, o calor já se intensifica nos primeiros dias do mês. “Fevereiro será bem característico de verão. Já nesta semana temos alerta de uma nova onda de calor, com temperaturas que podem chegar a 30, 32ºC e até acima disso, principalmente no meio da tarde”, explica.

O analista comenta que embora a onda de calor tenha maior influência sobre áreas do Noroeste e do Oeste do Estado e regiões da Argentina, Passo Fundo e municípios do entorno também sentirão os efeitos. As noites tendem a ficar mais quentes, com temperaturas mínimas variando entre 18°C e 20°C, segundo projeções do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

 

Chuvas seguem irregulares ao longo do mês

No que diz respeito às precipitações, a tendência para fevereiro é de chuvas mal distribuídas, característica comum dos meses de verão. Pasinato ressalta que o mês será marcado por pancadas isoladas, com grandes variações de volume entre localidades próximas. “Nós estamos em um período de transição da La Niña para a neutralidade, e isso favorece as tradicionais pancadas de verão. Em alguns locais pode chover 40 ou 50 milímetros, enquanto em outros, próximos, os volumes ficam entre 10 e 12 milímetros”, destaca.

O Analista reforça que esse comportamento já foi observado em janeiro. Na semana passada, por exemplo, estações meteorológicas registraram 44 milímetros em um ponto, enquanto em áreas como Capinzal, Transbrasiliana e Camponesa os volumes ficaram entre 12 e 13 milímetros. No centro de Passo Fundo, na estação da Embrapa, foram apenas 3,8 milímetros. “A previsão indica que a primeira semana de fevereiro deve ter pouca chuva, com possibilidade apenas de pancadas localizadas. A partir dos dias 10 ou 11, a tendência é de retorno das precipitações, com volumes um pouco maiores, ainda que mantendo a irregularidade. Conforme o Inmet, a chuva no mês deve ficar normal a abaixo da média”, alerta.

 

La Niña perde força e neutralidade se estabelece

Segundo Pasinato, o fenômeno La Niña, que influenciou o clima nos últimos meses, está em fase final. “A La Niña ainda se estende entre janeiro, fevereiro e março, mas o processo já está se encerrando. A tendência é que a neutralidade climática se consolide até o final do verão e avance pelo outono”, explica.

A neutralidade ocorre quando a temperatura das águas do Oceano Pacífico Equatorial apresenta anomalias entre -0,5 °C e +0,5 °C, sem a atuação direta de La Niña ou El Niño. “Não é uma virada de chave. Existe um acoplamento entre oceano e atmosfera que leva meses para se estabelecer completamente”, observa o meteorologista.

Ele lembra que a última La Niña foi de curta duração e menor intensidade. “O pico ocorreu entre novembro e dezembro, com cerca de 20 a 30 dias praticamente sem chuva. Foi um evento curto, diferente de outros anos”, pontua.

 

O que esperar para o restante do ano

Segundo Pasinato, embora ainda seja cedo para confirmar a atuação do El Niño, as projeções mais recentes indicam a possibilidade de desenvolvimento do fenômeno no segundo semestre. Conforme o último boletim da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), há cerca de 65% de probabilidade de ocorrência de El Niño entre agosto, setembro e outubro. “Se isso se confirmar, a tendência é de um inverno menos rigoroso e mais úmido, com menor risco de geadas, além de uma primavera mais quente e chuvosa”, afirma Pasinato. No entanto, ele reforça que os modelos ainda divergem e que o acompanhamento mensal é fundamental para ajustes nas previsões.

 

Janeiro fechou abaixo da média em Passo Fundo

Em Passo Fundo, janeiro terminou com 110,6 milímetros de chuva, o equivalente a 63% da média histórica para o mês. Apesar disso, o resultado foi superior ao registrado em janeiro do ano passado. “Foi um janeiro irregular. No início do mês praticamente não choveu em Passo Fundo, enquanto outras regiões tiveram volumes muito elevados em poucos dias, chegando a 200 ou 300 milímetros”, conclui Pasinato.

 

Com fevereiro começando sob calor intenso e chuvas desiguais, a recomendação é de atenção redobrada, tanto para a saúde da população quanto para o manejo das atividades agrícolas.

 


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