Nesta sexta-feira, 20, às 11h45, ocorre o equinócio de outono. O prenúncio vem das folhas dos plátanos da Praça Tamandaré, que amarelam e começam a cair. “É quando dia e noite têm a mesma duração, pois o Sol está sobre a linha do Equador e os hemisférios Norte e Sul recebem a mesma incidência solar”, explicou o analista do Laboratório de Agrometeorologia da Embrapa Trigo, em Passo Fundo, Aldemir Pasinato. Isso significa 12 horas de noite e 12 horas de dia. A partir de agora, os dias, que eram mais longos, encurtam gradativamente e as noites se ampliam na mesma proporção. “O equinócio acontece duas vezes ao ano: em março, o de outono; e em setembro, o da primavera. Isso ocorre pela inclinação da Terra em relação à posição solar. A partir de agora, aumenta a incidência de sol no hemisfério Norte e diminui por aqui. O outono acaba em 21 de junho”, detalhou Pasinato.
Transição
Além das rotações diárias, o planeta faz um longo percurso anual ao redor do Sol que, pela inclinação, determina as quatro estações do ano com características climáticas distintas. Essa viagem ao redor do Sol leva 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 56 segundos, gerando o movimento de translação e provocando as inclinações. “O clima muda. A partir de agora, esquenta no hemisfério Norte e aqui começa a esfriar. O outono é uma estação de transição entre o calor do verão e o frio do inverno, pois assume períodos com as condições típicas de verão e de inverno”, completou.
Efeito cebola
Com características climáticas bem definidas, o outono caracteriza-se pela amplitude térmica e pelo início dos nevoeiros. “Na meteorologia, é o efeito cebola”, diz Pasinato, pois a variação térmica entre a noite e o dia propicia uma alusão às camadas de roupas que utilizamos. São dias em que, popularmente, fala-se que temos as temperaturas de quatro estações em apenas um dia. “É a alternância de períodos quentes com períodos frios, manhãs e madrugadas com temperaturas mais amenas e as tardes mais quentes. É a amplitude térmica, efeito dessa proximidade em relação ao Sol”. Caracterizado em canto e verso pelas folhas que caem, também é o período em que o azul do céu cede espaço para o cinza nublado. “Os dias vão ficando mais curtos e surgem os nevoeiros”.
As tendências do outono 2026
Para o outono de 2026, as tendências – que não são as da moda – indicam temperaturas acima das médias e muita nebulosidade. Os prognósticos da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) indicam uma transição da normalidade para o El Niño. Além disso, Pasinato aponta que o INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) indica que as temperaturas ficarão acima das médias, pelo menos na primeira metade do outono. “Teremos um calor mais persistente, picos de calor, os veranicos. O frio deve chegar mais tarde, no final de maio e início de junho”. Para melhor compreensão em valores: a temperatura média máxima do outono (trimestre março, abril e maio) é 24,1°C; a média do período fica em 17,9°C; e a média das mínimas em 13,7°C.
A nebulosidade
“Teremos o retorno gradativo das chuvas, especialmente a partir da metade da estação. As chuvas devem ficar próximas ou um pouco acima da média, já indicando a influência do El Niño. No trimestre, o histórico de chuvas na região é de 431 mm”. Como justificativa, Pasinato disse que as frentes frias começam a chegar em maior frequência e intensidade. “A consequência é o aumento dos nevoeiros”, completou.
O começo
Com uma sexta-feira de tempo bom, predomínio de sol e temperaturas elevadas, inicia-se o outono. “A mínima fica em 18°C e a máxima pode chegar a 32°C. No sábado, com sol entre nuvens, podem ocorrer pancadas isoladas de chuva. A mínima sobe para 20°C e a máxima fica em 32°C. No domingo, já indicando a passagem de uma frente fria, predomínio de umidade, mínima de 21°C e máxima de 31°C”, informou o analista.


