Há 17 anos, uma iniciativa simples vem melhorando a vida de pessoas em situação de vulnerabilidade em Passo Fundo. Trata-se do Brasil Sem Frestas, projeto que busca proporcionar conforto térmico a quem vive em residências precárias por meio da instalação de caixas de leite em frestas e buracos nas paredes. Entretanto, a execução do projeto só é possível graças aos recursos arrecadados por um brechó beneficente.
A loja de itens usados funciona há 10 anos. Localizada na Rua Fagundes dos Reis, 97, no Centro da cidade, tem como diferencial oferecer diversos produtos a preços acessíveis. No local, é possível encontrar utensílios domésticos e roupas com valores a partir de R$ 5.
"O brechó é a principal fonte de renda de todo o projeto, pois o custo dos materiais é alto e todos aqui somos voluntários", afirma a coordenadora do Brasil Sem Frestas, Maria Camozzato.
O material ao qual a coordenadora se refere não inclui as caixas de leite, que são doadas pela comunidade, mas itens como grampos, grampeadores, linhas de costura, furadeiras e madeiras utilizadas na confecção de estruturas pré-moldadas para o forro.
"São materiais caros e que só conseguimos adquirir graças às vendas do brechó", completa.
Aberto todas as segundas e quartas-feiras, das 14h às 18h, o brechó também recebe doações da comunidade de produtos que podem ser revendidos. De acordo com Maria Camozzato, são aceitos principalmente roupas em geral, calçados, casacos, utensílios domésticos, cobertores, lençóis e travesseiros.
A coordenadora acrescenta que o brechó também recebe tampas plásticas de garrafas e de caixas de leite, que posteriormente são encaminhadas à entidade Repasso, responsável pelo trabalho de reciclagem.
O Brasil Sem Frestas
Ao longo dos 17 anos de atuação, o projeto Brasil Sem Frestas já revestiu 623 casas, beneficiando aproximadamente 3 mil pessoas em Passo Fundo.
Com cerca de 60 voluntários, a equipe está atualmente preparando caixas de leite para revestir novas residências. Ainda assim, o projeto necessita de mais colaboradores, especialmente pessoas dispostas a atuar no revestimento das casas, realizando o trabalho braçal.
Segundo Maria Camozzato, o revestimento de uma residência de 6 metros por 5 metros pode ser concluído em uma tarde. Cada imóvel consome, em média, 1,3 mil caixas de leite para o revestimento de paredes e teto.
"Com o conforto térmico, levamos saúde preventiva à população, que passa a sofrer menos com doenças", resume a coordenadora.
Além do número de casas e pessoas beneficiadas, outro dado chama a atenção: cada caixa de leite leva até 200 anos para se decompor no meio ambiente. Com a reutilização desse material no revestimento das residências, o projeto já retirou cerca de 200 toneladas de embalagens do lixo. O resultado beneficia tanto as famílias quanto o meio ambiente.
E alimentos
Acostumada a lidar com as dificuldades enfrentadas pelas famílias atendidas, Maria Camozzato chama a atenção para outro problema crescente: a insegurança alimentar.
"Como são muito pobres, o que ganham não é suficiente para pagar a alimentação, o vestuário, as contas e os remédios. Então, quando possível, repassamos alimentos recebidos por meio de doações", conclui.


