Sobrevivendo com doações, disponibilidade de voluntários e alguns recursos da Arquidiocese, a Pastoral da Criança de Passo Fundo comemora, no próximo mês, 30 anos de trabalho. Criada para promover o desenvolvimento integral de crianças em situação de vulnerabilidade social, a Pastoral é um organismo de ação social da Igreja Católica que hoje atende cerca de 2 mil famílias apenas em Passo Fundo. O trabalho consiste em realizar visitas de acompanhamento a gestantes e crianças de zero a seis anos, contribuindo para que as famílias realizem sua própria transformação, por meio de orientações básicas de saúde, nutrição, educação e cidadania. Iracema Posser, coordenadora arquidiocesana da Pastoral da Criança, comenta que apesar de ser um órgão mantido pela Igreja Católica, a Pastoral é ecumênica e não possui distinção de raça, cor, profissão, nacionalidade, política ou religião, atendendo àqueles que precisam de acompanhamento. “A gente não tem nenhum impedimento, quem quiser e quem precisa é atendido, não importa quem é e de onde vem”, comenta.
Com a balança para pesagem em uma das mãos e o caderno de líder em outra, as voluntárias vão, de casa em casa, conhecer a realidade das famílias e acompanhar de perto as dificuldades de cada lugar. As líderes (voluntárias que coordenam o trabalho dentro das comunidades) são preparadas para orientar as mães, pais e familiares a acompanhar e cuidar do desenvolvimento da criança em cada etapa da vida. Orientam, durante as visitas, sobre os direitos, o desenvolvimento e aprendizagem da criança, os sinais de risco para a saúde e dão informações para a prevenção e tratamento de doenças. Realizam também avaliação nutricional, orientação sobre higiene, saúde bucal e imunização. Além disso, elas doam um pouco do seu tempo e deixam suas próprias casas para levar amor e carinho a quem precisa de atenção e cuidados. “Temos um cuidado com a vida, com a formação física, psicológica e espiritual da criança. Nas visitas, além de orientar, a gente senta e escuta as dificuldades da família e se coloca a disposição para ajudar”, destaca Iracema.
Para chegar até as famílias, a Pastoral e as voluntárias se dividem pelas paróquias e bairros da cidade e nas famílias já acompanhadas pedem indicação de outras que possuem crianças e necessitam de acompanhamento. Iracema conta que sempre são bem recebidas e se tornam grandes amigas das famílias visitadas. “Em 14 anos que estou no trabalho da Pastoral, lembro de apenas duas vezes em que não fui aceita. Sempre somos bem recebidas e as pessoas ficam felizes, esperando a gente voltar”. As visitas são mensais e além da ida nas casas, a Pastoral realiza todo mês uma “Celebração da Vida”, onde todas as famílias se encontram no mesmo lugar e confraternizam.



