Após divergências do Sindicato, movimento perde força

Ainda que a diretoria do Cpers houvesse orientado pelo retorno das aulas, a continuidade da greve foi aprovada em assembleia na última semana

Por
· 3 min de leitura
Escolas se preparam para recuperar ano letivoEscolas se preparam para recuperar ano letivo
Escolas se preparam para recuperar ano letivo
Você prefere ouvir essa matéria?

Apesar da decisão pela continuidade da greve do magistério estadual, o movimento enfraqueceu em Passo Fundo. Nenhuma escola está totalmente paralisada. A Escola Adelino Pereira Simões, cuja adesão era total até a última semana, retornou às atividades normalmente ontem (13). A estimativa do 7° Núcleo do Cpers Sindicato é de que apenas 10% dos professores continuam com o movimento. A 7ª Coordenadoria Regional de Educação (7ªCRE) realizou um levantamento na manhã de ontem que indicou que apenas três escolas estaduais permaneciam parcialmente em greve. Apesar disso, todos os alunos da rede estão em aula.

Na última semana, oito escolas estavam em greve parcial e uma totalmente paralisada em Passo Fundo. Para o Cpers, o número de escolas em greve parcial é de pelo menos 20 escolas. Para isso, considera que toda escola que tiver pelo menos um professor em greve está em greve parcial. A Escola Nicolau de Araújo Vergueiro, que contabilizava em torno de 70 professores e funcionários paralisados na última semana, estava com três servidores em greve na segunda-feira (13). Na Fagundes dos Reis, ainda que alguns professores tenham voltado com as atividades, a greve segue parcial.
A Irmã Maria Margarida e a Antonino Xavier e Oliveira encerraram a greve ontem (13), com exceção de um professor da segunda escola, que não havia se manifestado. A Escola Protásio Alves, uma das maiores de Passo Fundo com mais de 100 professores e funcionários, contabilizava ao menos 10 servidores paralisados no início desta semana. Na Eulina Braga, a greve se mantém. A reportagem de ON ainda telefonou para o Instituto Cecy Leite Costa, mas não foi atendida.
Oposição dentro do sindicato
A decisão pela continuidade da greve foi tomada na última sexta-feira (10) em assembleia realizada em Porto Alegre. A categoria está paralisada desde o dia 7 de setembro. Ainda que a diretoria do Cpers e os conselhos regionais houvessem orientado pelo retorno às aulas, a oposição participou em peso do ato e conseguiu manter a greve por 1.160 votos favoráveis. Foram 578 votos pelo fim da paralisação.
Na ocasião, também foi colocada em votação a proposta apresentada pelo governo na semana passada, em resposta a contraproposta do Comando Estadual de Greve do Cpers. Por ampla maioria, a categoria rejeitou a proposta. Uma professora, que preferiu não se identificar, contou que a manutenção da greve foi encabeçada pela chapa que perdeu a última eleição. Segundo ela, ainda que a pauta de reivindicação não houvesse sido atendida na sua totalidade, a categoria já percebia alguns avanços. Aliado a isso, o magistério preocupava-se com a comunidade escolar e, por isso, muitos professores decidiram voltar antes do fim da greve. A assembleia, que foi transmitida ao vivo pela página do Facebook, contou com muitas declarações, de cunho político, contrárias ao governo peemedebista.
Atividades previstas
Também na sexta-feira, os professores decidiram pela realização de vigílias na Praça da Matriz, em Porto Alegre, nas terças-feiras, para pressionar a Assembleia Legislativa nas votações dos PLs, PLCs e PECs no Legislativo; produção de material para seguir com o trabalho de debate e denúncia contra as políticas do governo que destroem a educação pública, junto à comunidade escolar e a classe trabalhadora, nos ônibus, nos bairros, nas férias, etc; continuidade das Aulas Cidadãs; caravanas em Defesa da Educação Pública e do IPE público e de qualidade; e a realização de protestos nas empresas privadas sonegadoras e/ou que recebem altos incentivos fiscais do governo do Rio Grande do Sul.
O diretor geral do 7º Núcleo do CPERS Sindicato de Passo Fundo, professor Orlando Marcelino da Silva explica que muitos professores retornaram às escolas e que o comando de greve deve definir nesta semana quais as próximas ações. Ele explica que, na avaliação do Sindicato, apenas cerca de 10% dos professores continuem em greve, mas no momento não há nenhuma escola totalmente paralisada. Hoje, um grupo de professores estará em Porto Alegre para participar da vigília em frente à Assembleia Legislativa. A vigília tem como objetivo pressionar o legislativo estadual para a não aprovação dos PLs, PLCs e PECs que retiram direitos da categoria e demais servidores e podem ir à votação na Assembleia Legislativa.

Levantamento ON
Adelino Pereira Simões – Greve encerrada
Fagundes dos Reis – Parcial
Protásio Alves – Parcial (em média 10 servidores)
EENAV – Parcial (3 servidores paralisados)
Irmã Maria Margarida – Greve encerrada
Antonino Xavier – Retornaram às aulas, mas um professor não havia se manifestado
Eulina Braga – Parcial
Instituto Cecy Leite e Costa – não atendeu

 

Gostou? Compartilhe