Passo Fundo fecha abril com pior saldo do ano na geração de empregos

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados mostram que o município encerrou mais de 1,4 mil postos de trabalho no último mês

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(Foto: Marcello Casal/Agência Brasil)(Foto: Marcello Casal/Agência Brasil)
(Foto: Marcello Casal/Agência Brasil)
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A geração de empregos voltou a apresentar saldo negativo em Passo Fundo, depois de oito meses consecutivos com o número de admissões superior ao de desligamentos. De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), em abril, o município fechou 1.478 postos de emprego. O número é resultado de 3.655 desligamentos e 2.177 admissões. Este é o segundo pior índice registrado na cidade desde janeiro de 2020, ficando atrás apenas de abril do ano passado — época em que o Brasil começava a registrar os primeiros reflexos da pandemia —, quando foram encerradas 1.928 vagas.

O coordenador da agência local do FGTAS/Sine, Sérgio Ferrari, explica que o elevado número de desligamentos observado no último mês é uma consequência da adoção de novas medidas de restrição nas atividades econômicas. Os reflexos do agravamento na situação epidemiológica ficam ainda mais explícitos quando comparados os números de março e abril, períodos que apresentam cenários completamente opostos: enquanto no terceiro mês do ano Passo Fundo gerou 1.472 vagas de emprego, em abril foram fechadas 1.478. “Nós estávamos vindo em uma recuperação gradativa, mas quando foram determinadas novas restrições, muitas empresas que já não estavam bem economicamente, fecharam as portas de vez. Outras, que ainda conseguiram se manter mesmo quando não era permitido o atendimento presencial, foram reduzindo o quadro de funcionários”, analisa.

Para Ferrari, diante das atuais circunstâncias, a probabilidade é de que os próximos meses ainda sejam de saldo negativo no município. A recuperação econômica deve acontecer de forma semelhante ao ano passado: em 2020, depois de viver o período mais crítico em termos de empregabilidade devido à pandemia, Passo Fundo começou a manifestar uma lenta melhora nos números. Do saldo negativo de 1.928 postos em abril, o município passou para -670 em maio, -147 em junho e -203 em julho. O primeiro saldo positivo desde o início da pandemia aconteceu apenas em agosto, mantendo-se nessa tendência de crescimento até então. “Mesmo iniciando 2021 com incertezas, fechamos o primeiro trimestre com mais de 3 mil vagas positivas. Saímos do início da pandemia com estoque de 58 mil carteiras assinadas e chegamos a março com 63 mil. Essa gordurinha adquirida no primeiro trimestre é o que nos fez ficar com um saldo acumulado de apenas 1.603 negativo até o momento. Esperamos que isso seja recuperado nos próximos meses”, projeta.

Setor de serviços lidera demissões

Se, até então, o setor de serviços ocupava o papel de maior contratante no município, em abril ele passou para o de maior vilão. Do total de 1.478 vagas encerradas em Passo Fundo, 1.348 foram na área de serviços, que promoveu 2.282 desligamentos, contra 934 admissões. Em seguida, aparece a indústria, que demitiu 86 pessoas a mais do que contratou, e o comércio, que fechou 62 postos de trabalho. Os únicos setores com números positivos foram a construção, responsável por assinar 16 novas carteiras de trabalho, e a agropecuária, com saldo positivo de duas vagas.

No Brasil, saldo é positivo

Ao contrário da situação local, no Brasil, em abril deste ano, o número de trabalhadores contratados com carteira assinada foi superior ao de demitidos. Segundo o Ministério da Economia, no último mês, o país registrou 1.381.767 admissões e 1.260.832 desligamentos no mercado formal de trabalho, resultando na geração de 120.935 postos de trabalho.

O resultado, ainda assim, ficou abaixo do mês anterior, quando foram geradas 177.352 vagas. “Parece pouco frente ao que gerávamos antes, mas temos que considerar que [abril] foi o mês em que se sentiu mais o impacto da segunda onda da covid-19. Na primeira onda, ano passado, perdemos mais de 900 mil empregos. Agora, criamos 120 mil empregos. O Brasil está mostrando resiliência ", contrapôs o ministro da Economia, Paulo Guedes.

O destaque na geração de empregos foi para o setor de serviços, que criou 57.610 postos de trabalho, tendo admitido, ao longo do mês, 614.873 pessoas, e demitido 557.263. Os outros quatro grupamentos de atividades econômicas (indústria, construção, comércio e agricultura) também registraram saldos positivos.

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