Economista analisa o aumento de preços da gasolina, do diesel e gás de cozinha (GLP)

Aumentos devem continuar ocorrendo até o final do ano, prevê economista

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Os preços ainda passam por acréscimos até chegar ao consumidor final (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)Os preços ainda passam por acréscimos até chegar ao consumidor final (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Os preços ainda passam por acréscimos até chegar ao consumidor final (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
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Os preços da gasolina, do diesel e do gás de cozinha (GLP) subiram nesta terça-feira (6) nas refinarias. A gasolina aumenta, em média, R$ 0,16 (6,3%), fazendo com que o litro do combustível saia de R$ 2,53 para R$ 2,69. O diesel tem aumento médio de R$ 0,10 (3,7%) por litro, e passa a custar R$ 2,81 nas refinarias da Petrobras. O gás de cozinha (GLP) para as distribuidoras sobe R$ 3,60 por quilograma (kg), refletindo um aumento médio de R$ 0,20 por kg.

A Petrobras afirma que os reajustes acompanham a elevação dos patamares internacionais de preços de petróleo e derivados. Além disso, os preços cobrados nas refinarias da Petrobras na venda às distribuidoras são acrescidos de impostos, custos para a mistura obrigatória de biocombustíveis, margem de lucro de distribuidoras e revendedoras e outros custos.

Motivos

Este é o primeiro aumento na gestão do general Joaquim Silva e Luna na presidência da estatal. O presidente anterior, Roberto Castello Branco, caiu após críticas de Bolsonaro (sem partido) aos reajustes nos preços. 

André da Silva Pereira é professor da Faculdade de Ciências Econômicas, Administrativas e Contábeis (Feac) da UPF (Foto: Bruna Scheifler/Arquivo ON)

Em relação às causas para o atual aumento, o professor da Faculdade de Ciências Econômicas, Administrativas e Contábeis (Feac) da UPF André da Silva Pereira aponta: “É a mesma velha história, que se repete ano a ano”. Os combustíveis derivados de petróleo são commodities. No momento, o real está desvalorizado, o que encarece o produto e, por ser uma commodity, depende da demanda internacional, que está alta. “Está refém do apetite de consumo desses produtos a nível internacional e da política econômica, no quesito da desvalorização do real frente ao dólar, que encarece os produtos importados”, explica o professor.

A nível internacional, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep +) vive um impasse, com reuniões canceladas. “Eles estão tentando estipular aumento na produção internacional, mas não chegaram ao consenso nessa questão”, explica André. Desta forma, com demanda aquecida e menor oferta, o preço sobe.

Consumidor

O impacto no bolso do consumidor não é imediato, devido aos estoques comprados com o preço anterior. “O certo seria esperar acabar e na próxima remessa vir com preço mais caro. O que a gente enxerga é que a Petrobras avisa e os postos aumentam”, relata o economista.

Novos aumentos

Os aumentos devem continuar ocorrendo até o final do ano. “A tendência é a economia voltar ao normal, lentamente com o avanço na vacinação. Isso gera trânsito, gera consumo de diesel e consumo de combustível pelas famílias”, analisa André. 

Para evitar o aumento, uma medida que poderia ser adotada é a redução do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) pelos estados. “Não vai acontecer porque os estados estão endividados”, esclarece o professor. Uma alternativa seria o governo federal realizar um acordo com os estados, propondo a redução do imposto com reposição do valor pelo próprio governo federal. No entanto, a medida dificilmente será adotada pela falta de diálogo, conforme o professor. “Não se vê no médio e longo prazo solução para o aumento constante e perene”, resume o economista.

Dólar

O dólar passou por uma queda nos últimos meses, mas voltou a subir. Entre os fatores necessários para valorização do real frente ao dólar, conforme André, estão as reformas estruturais, a redução de falas polêmicas de Bolsonaro, a vacina e um bom ambiente econômico. “O ponto principal que está incentivando a valorização do real é a questão do aumento da taxa de juros, subindo a taxa Selic atrai capital estrangeiro”, destaca o economista.

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