Passo Fundo está a uma vitória de repetir o feito de 1986

Com o empate no primeiro jogo da final, Tricolor conta com a presença do torcedor para a grande final no domingo

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Passo Fundo vem de empate no jogo de ida das finais, em Pelotas - Foto: Deborah Mello/ Divulgação ECPFPasso Fundo vem de empate no jogo de ida das finais, em Pelotas - Foto: Deborah Mello/ Divulgação ECPF
Passo Fundo vem de empate no jogo de ida das finais, em Pelotas - Foto: Deborah Mello/ Divulgação ECPF
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Na temporada em que completa 40 anos de fundação, o Esporte Clube Passo Fundo poderá repetir um feito obtido há quatro décadas. Para ser bicampeão, o Passo Fundo precisa agora bater o Brasil de Pelotas. A regra é simples: como o placar no Estádio Bento Freitas foi 1x1 na quarta-feira (28), quem vencer domingo no Estádio RazaoInfo Vermelhão da Serra ficará com a taça. Se houver novo empate, o título será decidido nos pênaltis. O confronto está marcado para às 16h. 

Para a grande final, o técnico Márcio Nunes terá o importante retorno do atacante Alisson, herói da classificação diante da Apafut e que cumpriu suspensão em Pelotas. “Nosso objetivo é o título, esse grupo merece. Conclamamos o torcedor a comparecer para prestigiar todo o trabalho realizado até aqui” afirmou o Nunes.

Devido à importância da final, a direção espera grande público no estádio. Para tanto, já está vendendo os ingressos na loja física, no horário das 9h às 17h30, sem fechar ao meio-dia. Além das entradas para a arquibancada geral a R$ 30 (inteira) e R$ 15 (mulheres/ meia), os torcedores contam com o setor de cadeiras pelo valor de R$ 50.

Título e acesso logo na estreia

O ano de 1986 foi de novidade com a fundação do Esporte Clube Passo Fundo em 15 de janeiro. Aproveitando a fusão entre Gaúcho e 14 de Julho, o novato Tricolor utilizou o Estádio Wolmar Salton para sediar as partidas em sua primeira competição oficial.

A 2ª Divisão daquele ano foi longa. Iniciou no mês de abril e encerrou apenas no fim de novembro. Ao longo da trajetória, o calendário de jogos apresentou 32 compromissos para o Passo Fundo, sendo a estreia realizada em 6 de abril de 1986, diante do Ypiranga no Estádio Colosso da Lagoa, em Erechim.

O time da estreia, dirigido pelo treinador Raul Tagliari, foi a campo com Mazaropi; Cacaio, Darci Munique, Zé Ricardo e Ricardinho; Walmor, Djalma Lima e Cláudio Freitas; Doval (Flávio), Edemir Gaúcho e Darlan (Elpídio). O batismo no campeonato teve derrota pelo placar de 1x0 para o Ypiranga.

Ao longo do ano, o Passo Fundo trocou ainda duas vezes de treinador até estabelecer Paulo Sérgio Poletto na casamata. Estrategista e profundo conhecedor do futebol gaúcho, Poletto tinha em mãos uma equipe mesclada entre jovens da região – alguns remanescentes de Gaúcho e Passo Fundo – além de nomes mais experientes.

Entre os atletas que já atuavam na cidade estava o atacante Flavinho Chiesa. “Havia muita expectativa pelo novo time e eu não sabia se continuaria, pois estava no 14 de Julho. Na época eu fazia faculdade na UPF e o plantel montado era muito acima dos demais que disputavam o campeonato de 1986” salienta o antigo ponta.  

Alternando 39 jogadores ao longo do ano, o Passo Fundo chegou na ultima rodada tendo pela frente o São José no Estádio Passo D’Areia, em Porto Alegre. Com grande presença da torcida tricolor, que levou charanga, fogos e bandeiras, o Passo Fundo comandou boa parte das ações e o 0x0 foi o suficiente para garantir o título. 

Em Porto Alegre, Poletto teve o Passo Fundo com Mazaropi; Chimbica, Darci Munique, Zé Ricardo e Rebechi; Doval, Castor (Leonel) e Cláudio Freitas; Zé Carlos (Valduíno), Alfredo e Anchieta. 

“Ali era meu primeiro ano de profissional e eu tinha alegria em fazer parte do time. Não era titular, mas entrei bastante, inclusive na final” relembra o meia Leonel. Conforme o então jovem de 20 anos, “nosso time era superior aos demais, formado por pessoas boas, tinha a chave para ser o campeão”.

Atualmente morando na Cidade do México, Leonel salienta que “a final fora de casa, com pressão, teve até lance polêmico, com um gol dado em que a bola entrou por fora da rede, mas que foi anulado”.

Os jogos

No total, em 1986 o Passo Fundo foi campeão da 2ª Divisão após 32 jogos, com 21 vitórias, 7 empates  e 4 derrotas, um aproveitamento de 77% dos pontos. O ataque marcou 38 gols e a defesa foi vazada 12 vezes.

“O envolvimento da comunidade foi maravilhoso, a nossa convivência em Passo Fundo foi sensacional e ainda temos muitas relações com a cidade. E a final foi tensa, mas emocionante” pontua Flavinho, que reside em Três Passos.

As recordações do presidente

Atual presidente do Esporte Clube Passo Fundo, Selvino Ferrão já estava no Tricolor em 1986. Um dos articuladores da criação do Tricolor, Ferrão lembra que o time jogou no Wolmar Salton por reformas no gramado do Vermelhão da Serra.

“Aquela primeira equipe teve grande sucesso, mas o campeonato teve disputa na justiça também, com o São José reclamando que havíamos ganho o campeonato sem nunca ter disputado antes” recorda o presidente.

Ativo no Passo Fundo, Ferrão também foi o presidente em 2012, no ano do último acesso – mas subindo como vice-campeão, ao lado do Esportivo de Bento Gonçalves.

Em 2026, a luta pelo bicampeonato

Analisando a atual temporada, Selvino Ferrão saúda a excelente campanha desempenhada até as finais. “Foi uma grande conquista termos o acesso, mas com preparação. Lutamos quatro anos contra várias dificuldades e agora montamos uma grande equipe e tudo o que programamos, cumprimos” salienta.

Ferrão também exalta os números e afirma que “a torcida tem que ficar muito orgulhosa. Vamos em busca do título para repetir 1986, aí ficamos realizados”.  


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