A melhora nas condições do tempo nesta semana permitiu a retomada dos trabalhos nas lavouras da região de Passo Fundo. Com a redução das chuvas e a abertura de janelas para a entrada das máquinas, a colheita da canola entrou na reta final e deve ser concluída nos próximos dias. Apesar do avanço das operações, os resultados confirmam os prejuízos provocados pelas condições climáticas ao longo do ciclo, com perdas estimadas entre 35% e 40% na produtividade.
O cenário também exige atenção nas lavouras de trigo. As primeiras áreas colhidas apresentam produtividades consideradas razoáveis, mas registram problemas na qualidade dos grãos, especialmente em razão da incidência de doenças nas espigas. Enquanto isso, as culturas de verão avançam gradualmente, com o milho já implantado e o plantio da soja previsto para se intensificar na primeira quinzena de novembro.
Conforme o gerente regional da Emater, Oriberto Adami, o excesso de chuva foi um dos principais fatores que comprometeram as culturas de inverno.
Canola tem média de 20 sacas por hectare
A colheita da canola está próxima da conclusão, com as lavouras mais tardias ainda sendo colhidas. A expectativa é de que os trabalhos sejam encerrados em aproximadamente uma semana, desde que as condições do tempo e a situação do solo permitam a circulação das máquinas.
A produtividade apresenta diferenças expressivas entre as áreas. As lavouras implantadas mais cedo, em maio e no início de junho, tiveram melhores condições de estabelecimento e registram resultados que podem chegar a 30 ou 35 sacas por hectare. Já as áreas plantadas mais tarde enfrentaram dificuldades desde a germinação, em função do excesso de chuva, e foram prejudicadas novamente próximo à colheita, devido à ocorrência de ventos fortes e precipitações intensas.
Nessas lavouras, os resultados ficam, em muitos casos, entre 15 e 20 sacas por hectare, com registros ainda menores nas áreas mais comprometidas. A estimativa regional é de uma média próxima de 20 sacas por hectare, equivalente a cerca de 1,2 mil quilos. O resultado fica abaixo da expectativa inicial, que apontava para uma produtividade média de aproximadamente 30 sacas por hectare.
“Não foi um ano bom para a canola, e os resultados também não foram homogêneos. Uma semana de diferença no plantio resulta em uma diferença muito grande na produtividade”, avalia o gerente regional da Emater.
Qualidade do trigo preocupa
No trigo, a colheita ainda está restrita a áreas menores, principalmente em regiões de colonização e municípios onde o ciclo das lavouras está mais adiantado. Os primeiros resultados indicam produtividades entre 45 e 50 sacas por hectare, mas os indicadores de qualidade acenderam um alerta para o restante da safra.
Um dos principais parâmetros utilizados na avaliação é o peso hectolitro (PH), que mede a massa dos grãos em determinado volume e serve como referência para a classificação comercial. Nas primeiras áreas colhidas, os índices estão entre 72 e 73, abaixo do valor de referência 80, utilizado como parâmetro de qualidade.
A situação está relacionada, principalmente, à incidência de doenças nas espigas, com destaque para a giberela, favorecida pelas condições de umidade durante o desenvolvimento da cultura. O excesso de chuva também dificultou o manejo das lavouras e contribuiu para um cenário mais complexo ao longo do ciclo.
A expectativa é de que as próximas semanas tragam informações mais abrangentes sobre o desempenho do trigo na região. Áreas de municípios como Barracão, Lagoa Vermelha e Capão Bonito do Sul, entre outras localidades de maior altitude, ainda devem entrar em colheita. Como parte dessas lavouras foi implantada mais tarde, os trabalhos devem começar nos próximos 15 dias em algumas áreas, enquanto outras terão de aguardar mais tempo.
Milho avança, e soja deve concentrar plantio em novembro
Nas culturas de verão, o milho já está implantado e se encontra nas fases iniciais do desenvolvimento vegetativo. O início do ciclo também foi marcado por dificuldades relacionadas ao excesso de chuva, que prejudicou a realização de operações importantes, como a aplicação de nitrogênio em cobertura, geralmente feita entre 20 e 25 dias após a implantação da cultura.
Em algumas áreas mais baixas, a ocorrência de geadas provocou danos localizados. A expectativa, agora, é de melhora nas condições de temperatura, fator importante para o desenvolvimento das plantas nos próximos meses.
O plantio da soja já começou em algumas lavouras, mas a maior concentração dos trabalhos deve ocorrer na primeira quinzena de novembro, período considerado adequado para a implantação da cultura na região. A continuidade das operações, entretanto, depende de condições favoráveis de umidade do solo, que permitam a entrada das máquinas sem comprometer os trabalhos no campo.
A tendência é de intensificação da semeadura a partir da próxima semana, com possibilidade de continuidade durante a segunda quinzena de novembro, conforme o andamento dos trabalhos e as condições climáticas.


