Ato na Câmara denuncia violência política contra mulheres

Vereadoras cobraram respeito e medidas contra agressões no Legislativo

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Com faixas e cartazes, integrantes de movimentos protestaram durante a sessão de quarta-feira - FOTO: CATHERINE MISTURACom faixas e cartazes, integrantes de movimentos protestaram durante a sessão de quarta-feira - FOTO: CATHERINE MISTURA
Com faixas e cartazes, integrantes de movimentos protestaram durante a sessão de quarta-feira - FOTO: CATHERINE MISTURA
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Um ato em defesa do respeito às mulheres e contra a violência política de gênero marcou a sessão da Câmara de Vereadores de Passo Fundo na tarde da quarta-feira (28). Com o plenário ocupado por mulheres integrantes do Comitê Popular e lideranças, as vereadoras denunciaram episódios de desrespeito no ambiente político e defenderam que as agressões não sejam tratadas como brincadeiras ou situações isoladas.

A mobilização ocorreu após um episódio registrado na sessão de segunda-feira (26), quando o vereador Tchequinho (PL) se referiu às vereadoras Eva Valéria Lorenzato (PT), Marina Bernardes (PT) e Professora Regina (PDT) como “ladras”, insinuando que elas teriam roubado sua carteira. A fala foi associada ao posicionamento político das parlamentares.

Respeito no Parlamento

A vereadora Professora Regina afirmou que a presença feminina no Legislativo é resultado de uma trajetória de conquistas e deve ser acompanhada de condições iguais para o exercício do mandato.

“As mulheres demoraram muito tempo para chegar nos parlamentos e nós estamos aqui, a gente conquistou esta cadeira, então a gente tem o direito de ser respeitado”, declarou. A parlamentar também defendeu mudanças de postura e mecanismos que garantam proteção às representantes dentro da Casa.

Regina criticou a naturalização de comentários ofensivos. “Não tem nada que justifique o fato de que nós aqui na Câmara de Vereadores sigamos compactuando com a violência política de gênero”, afirmou.

Mulheres cobram posicionamento

Marina Bernardes ressaltou que a violência contra as mulheres pode se intensificar quando elas assumem posições políticas. A vereadora também relatou ter sido alvo de agressões verbais e cobrou que os homens da Câmara se posicionem diante dos episódios.

“Nenhuma violência pode ficar sem resposta, mesmo que quem a cometa se faça de desentendido”, declarou. Marina também defendeu o enfrentamento à cultura que naturaliza a desigualdade e a deslegitimação das mulheres na política.

A vereadora Eva Lorenzato destacou a repercussão de um vídeo publicado nas redes sociais sobre o episódio que motivou a mobilização. Para Eva, a participação feminina na política contribui para ampliar o debate sobre igualdade e diversidade. 

Ela também ressaltou a atuação das mulheres em pautas relacionadas à saúde, à educação e ao combate à violência. “Ver esse plenário lotado de pessoas, de lideranças, mas especialmente de mulheres, mostra para nós que não estamos sozinhas”, afirmou.

Presidente defende atuação da Câmara

Em resposta às manifestações, o presidente da Câmara, Luis Valendorf, afirmou que as críticas não devem ser generalizadas para todo o Legislativo. Ele citou projetos voltados às mães solo e ao atendimento prioritário de mulheres vítimas de violência.

“Esta Casa, sim, valoriza a mulher, protege as mulheres e não é por causa de uma questão de um vereador que vai ser toda a Câmara penalizada por isso”, declarou.

Valendorf também mencionou iniciativas relacionadas ao acesso de filhos de mães solo a vagas escolares e à ampliação do atendimento às vítimas de violência nos serviços municipais.

A reportagem tentou entrar em contato com o vereador Tchequinho, que acabou deixando o plenário antes do término da sessão.   

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