OPINIÃO

Conjuntura Internacional

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O Mercado Comum do Sul (Mercosul) ainda representa uma fatia considerável do fluxo comercial entre o Rio Grande do Sul com a Argentina, Uruguai e Paraguai. Mas o bloco possui uma série de desafios, em que pese a sua já longeva caminhada, desde a década de 1990, com o Tratado de Assunção. A 56º Cúpula do Mercosul (onde se reúnem os Chefes de Estado) transcorreu no último dia 2 de julho, tendo como anfitrião o Paraguai. A tônica do evento foi justamente a recuperação dos países do bloco na retomada da pandemia. Entre os desafios, o primeiro deles seria rever o nível de integração, para que se estabeleça uma verdadeira União Aduaneira, que hoje é incompleta. A Tarifa Externa Comum (TEC), também, merece uma ampla discussão, no sentido de revisar as alíquotas, visando maior competitividade. Avançar para uma integração física, com a livre circulação de pessoas também seria relevante. Enquanto alguns impasses históricos não se resolvem, ao menos, as possibilidades de acordos bilaterais a partir do bloco são promissoras.


 


Acordo com a União Europeia 


O acordo permaneceu em construção durante cerca de 20 anos e somente no atual governo, tomou fôlego. Na última reunião de cúpula do Mercosul, o representante para assuntos externos da União Europeia, Josep Fontelles, salientou que a intenção é finalizar o acordo ainda neste ano. O mesmo ainda depende das reações dos principais líderes europeus e de seus negociadores, para que fechem o texto e o aprovem rapidamente. Ocorre que há uma pressão, principalmente de grupos ligados às pautas do meio ambiente, que sinalizam seu descontentamento com a forma do governo brasileiro conduzir as mesmas. Aqui devemos salientar também que, para além dessas questões, há um forte lobby das indústrias nacionais europeias que enxergam o acordo como uma ameaça. Da assinatura do acordo, já se vai quase um ano.


 


Canadá 


Outro Acordo de Livre Comércio do Mercosul que toma fôlego é com o Canadá. O mesmo beneficiaria produtos como carnes, cereais, farinhas e preparações, frutas e o complexo da soja, conforme estudo da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Os produtos poderiam impulsionar as exportações do Rio Grande do Sul. O acordo já vem sendo costurado praticamente há dez anos. Uma questão que ainda precisa de aprofundamento é o tratamento tarifário, mas, certamente, os produtos brasileiros ampliariam a sua presença no mercado canadense, com maior competitividade, no caso da eliminação gradual das tarifas. Carne bovina e calçados são dois produtos com alta taxação no Canadá.


 


Passo Fundo 


Em que pese os parceiros do Mercosul não estarem no centro das exportações do município, o destaque se dá na importação. A Argentina tem participação de 67% das importações de Passo Fundo. A instabilidade relativa do governo brasileiro com a Argentina traz algumas incógnitas. A Argentina já ameaçou abandonar as negociações do Mercosul, mas não levou o projeto à frente. Esse mercado merece atenção por parte do município.  


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