OPINIÃO

Tributo a Édison Nunes

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A você, Édison, antes de qualquer outra coisa, o nosso muito obrigado! É com sentimento de gratidão e respeito que os escritores locais, por intermédio da Academia Passo-Fundense de Letras, vem a público prestar esse tributo à memória de Édison Armando de Franco Nunes (1948-2021). Se há um homem que, seja no exercício de funções públicas (vereador, secretário municipal e outros cargos) ou apenas como cidadão, valorizou e fez como poucos pela cultura e pela literatura passo-fundenses, esse foi Édison Nunes.

Édison Armando de Franco Nunes era natural de São Gabriel. Mas isso nunca foi impedimento para que vivesse Passo Fundo de forma muito intensa. Aqui construiu a vida profissional, afetiva e política e deu provas de amor e zelo por essa cidade tal qual um passo-fundense (em 2015 receberia o título de Cidadão Honorário). Era formado em Medicina Veterinária pela UFSM (1970). Fez carreira no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), onde se aposentou, em 1997, como fiscal agropecuário federal. Sempre ligado ao serviço de inspeção e qualidade de alimentos de origem animal, em cuja área era especialista pela Universitè de Bordeaux I (1979). Paralelamente, trabalhou na Universidade de Passo Fundo (UPF), onde deixou marcas indeléveis, nas áreas de tecnologia de alimentos, zootecnia e veterinária, como professor (1975-2007) e membro do conselho universitário (até 2020, representando o senhor prefeito municipal). Em destaque, na UPF, o seu empenho para a criação do curso de Medicina Veterinária, uma luta de 10 anos, que se concretizaria em 1997, e a idealização de um Hospital Veterinário de referência no norte do Estado, inaugurado em 2001. Foi membro da Academia Rio-Grandense de Medicina Veterinária e atuante em entidades de classe como ABRAVES, CRMV/RS, AMVEP e SOVERGS. Parece muito? Ainda é pouco.

Houve um Édison Nunes homem público. Que exerceu cargos relevantes e jamais perdeu a cordialidade no trato pessoal. Um gentleman que trajava impecavelmente conforme a ocasião. Podemos destacar a passagem pela Secretaria Municipal de Agricultura, entre 1993 e 1995, quando criou o Serviço de Inspeção Municipal de Produtos de Origem Animal, que virou referência nacional. A luta para a criação do Partido Liberal (PL) em Passo Fundo. E a função de diretor do Departamento de Produção Animal da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado do Rio Grande do Sul (abril 1995 a maio 1996). Além dos três mandatos como vereador em Passo Fundo (1997 a 2008) e como secretário municipal nas áreas de Captação de Recursos e Transparência e Relações Institucionais (2013 a 2020).

E foi no exercício de cargos públicos que Édison Nunes pode fazer muito pela cultura local. Talvez nem todos lembrem ou saibam, que foram iniciativas dele como edil: o monumento da Caravela do Boqueirão, comemorativo aos 500 anos da descoberta do Brasil; a Lei nº 3764/2001 que instituiu o 7 de abril como “Dia Municipal do Escritor”; a proposição, em 2007, por ocasião do aniversário de 150 anos de Passo Fundo, da construção de um monumento em homenagem ao “Pioneirismo na prática de plantio direto em campo nativo, sobre pastoreio rotativo”; a Lei nº 4478/2008 que instituiu a obrigatoriedade da frase "Passo Fundo Capital Nacional da Literatura" em todas as correspondências oficiais do município de Passo Fundo; a Lei nº 4482/2008 que declarou o município de Passo Fundo Polo de Implantação e Difusão do Sistema Plantio Direto, entre outras.

Impossível falar sobre Édison Nunes sem fazer referência à professora Cléa Nunes. Companheira de vida e de infortúnio da Covid-19 (ele morreu dia 19, aos 73 anos, e ela dia 20 de março de 2021, aos 68 anos). Viveram intensivamente 48 anos de casamento, quatro netos e cinco filhos: Andrea, Luciana, Alexandre, Maria Augusta e Eduardo. E essa história, plena de realizações e trágica pelo desfecho, será contada em livro, atendendo ao último pedido da mãe, pela filha Andrea. Muitos outros feitos desse notável casal serão conhecidos. Aguardem.

Requiescat in pace, Cléa & Édison Nunes!


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