OPINIÃO

Conjuntura Internacional

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A segunda onda do Covid-19, somada com uma variante do vírus, em uma população enorme e com alta densidade, tem colocado a Índia (o segundo país mais populoso do mundo) como o novo epicentro mundial do coronavírus, com 200 mil mortos e os números crescendo significativamente nos últimos dias. Ainda há o problema da subnotificação e informações precárias sobre a real situação. A explosão dos casos na Índia se dá em decorrência de muitos fatores como: a variante indiana (altamente contagiosa e de rápida transmissibilidade), as aglomerações excessivas (algumas delas por questões religiosas e outras por comícios eleitorais), a baixa vacinação e até mesmo um nível elevado de confiança do governo, que há semanas, considerava a gestão da pandemia em bom caminho. Nova Délhi, a capital, é onde a crise está mais acentuada. A capital do país segue em lockdown. Os índices de ocupação de leitos sobem a cada dia.

 

Implicações geopolíticas 

A variante indiana colocará a recuperação econômica do país em um cenário muito pessimista, expondo outros países com o risco da variante se espalhar. A região Ásia-Pacífico fica em situação de fragilidade, devido ao baixo índice de vacinação, até o momento. Outro ponto que chama a atenção é a questão estratégica da vacina. Em que pese a Índia ser um importante fabricante de imunizantes (Serum Institute), apenas cerca de 9% da população indiana recebeu a primeira dose da vacina, desde que a campanha de imunização iniciou, em janeiro deste ano. O Instituto produz a vacina da AstraZeneca/Oxford. Muitas potências estrangeiras têm procurado ajudar o país, entre eles os EUA, com a suspensão de restrições à exportação de matérias-primas para a fabricação de vacinas, o que ajudaria a produção doméstica na Índia. Por outro lado, há forte discussão na Índia de que a principal questão para solucionar impasses na fabricação de vacinas seria justamente a quebra de patentes, suspendendo os direitos intelectuais na produção, o que contraria diretamente os interesses dos EUA, deixando o Primeiro-Ministro Narendra Modi em uma situação delicada. O Brasil não apoiou o pleito de Modi na Organização Mundial do Comércio (OMC) para a quebra de patentes, ficando ao lado dos EUA, o que gerou um desconforto ao governo indiano.

 

Narendra Modi 

Os oponentes do Primeiro-Ministro indiano ressaltam que ele declarou vitória antecipada contra a pandemia. Nível de confiança que fez Modi reabrir os espaços públicos e permitir aglomerações excessivas, inclusive religiosas, como o famoso festival Kumbh Mela, considerado um dos maiores eventos religiosos no mundo, que reúne hinduístas quatro vezes a cada 12 anos, na purificação de suas almas no Ganges. Cabe ressaltar que Modi é um nacionalista hinduísta, optando por não cancelar o evento para agradar a sua importante base política. O Primeiro-Ministro vem sofrendo pesadas críticas pela mídia internacional, mas ainda é cedo para dizer qual será o resultado político da sua forma de administrar a pandemia.  

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