A Expodireto Cotrijal 2026 chegou ao fim na última sexta-feira (13), em Não-Me-Toque, com discussões centradas nos desafios enfrentados pelo agronegócio gaúcho. Ao longo da semana, produtores, autoridades e representantes de entidades do setor destacaram, principalmente, a dificuldade de muitos agricultores em quitar dívidas acumuladas após sucessivas safras marcadas por perdas climáticas.
O presidente da Cotrijal, Nei Mânica, afirmou que o setor precisa de soluções estruturais para garantir condições de continuidade da produção. Segundo ele, é necessário enfrentar o problema do endividamento antes de projetar novos investimentos no campo. “De nada adianta o governo fazer um programa olhando para frente se não equacionar o passado. É como querer fazer uma viagem estando doente e não tratar a doença”, comparou.
Mesmo diante das dificuldades, Mânica destacou que a feira segue sendo um espaço estratégico para produtores que buscam conhecimento e oportunidades. “O produtor vem aqui para aproveitar o conhecimento, buscar informação e aproveitar a oportunidade de quem pode fazer bons negócios”, afirmou.
Juventude e liderança feminina
Outro tema recorrente nos debates da feira foi a renovação geracional no campo. O presidente da Emater, Claudinei Baldissera, destacou que a participação de jovens no meio rural vem crescendo e se consolidando como um fator importante para o futuro da agricultura.
Segundo ele, 2025 registrou o maior número de jovens assessorados pela instituição em seus 70 anos de atuação, chegando a quase 30 mil participantes. Baldissera ressaltou que o objetivo é inserir os jovens na gestão das propriedades e no uso de novas ferramentas tecnológicas.
“Trazer o jovem para a pauta da gestão da propriedade e da resiliência climática é fundamental. Eles trabalham com sistemas informatizados, com utilização e análise de dados, e têm um papel transformador para o futuro, junto com suas famílias”, destacou.
Ele também reforçou a importância da presença feminina no setor, apontando que as mulheres têm ampliado a atuação como empreendedoras no meio rural.
Conflito internacional preocupa setor
A situação internacional também entrou na pauta de discussões da Expodireto. O conflito no Oriente Médio levanta preocupações sobre o abastecimento de combustíveis, especialmente em um momento estratégico para a colheita da soja.
Nei Mânica explicou que o cenário exige cautela para evitar movimentos de mercado que possam agravar a situação. “Quando há uma mobilização grande com receio de falta de produto, há uma corrida pelo produto e aí pode faltar e aumentar o preço”, alertou.
Apesar disso, ele afirmou que há informações de que a situação tende a se normalizar. Segundo o presidente da Cotrijal, há expectativa de que a circulação de navios seja retomada e que o abastecimento seja mantido, além de existir disponibilidade na rede de biodiesel.
Expansão do parque deve abrir espaço para novos expositores na feira
Durante o encerramento da feira, o presidente da Cotrijal também confirmou que o parque da Expodireto está passando por um processo de ampliação para atender à crescente demanda de empresas interessadas em participar do evento.
De acordo com Mânica, o projeto prevê a inclusão de mais 14 quadras ao espaço atual, ampliando em cerca de três quilômetros a área do parque. O setor de máquinas agrícolas será um dos principais beneficiados, com aumento de aproximadamente 50% na área disponível.
“Com certeza o mais difícil já conseguimos. Fizemos grande parte da terraplanagem e agora, no pós-feira, vamos unificar a área e avançar na infraestrutura”, explicou. A expectativa é que as obras estejam concluídas até o final deste ano ou início do próximo, abrindo espaço para novos expositores que aguardam há anos para ingressar na feira.
A organização também anunciou a data da próxima edição da feira, que será realizada de 8 a 12 de março de 2027, em Não-Me-Toque/RS.



