OPINIÃO

Conjuntura Internacional

Por
· 2 min de leitura
Você prefere ouvir essa matéria?
A- A+

Os líderes do Mercosul, juntamente com os líderes europeus, estiveram reunidos na 65ª Cúpula de Presidentes do Mercosul no Uruguai. Um dos objetivos foi o de avançar o acordo entre o bloco e a União Europeia, negociação que se arrasta, pelo menos, desde 1999. O encaminhamento do acordo na ocasião, não é garantia de que ele esteja em vigor, pois, ainda há trâmites importantes a se concluírem, entre eles, a aprovação do acordo no parlamento europeu, uma etapa complexa. O lobby dos produtores, principalmente dos franceses, fez com que Macron demonstrasse a sua contrariedade ao acordo. Devemos lembrar que o agronegócio brasileiro é altamente competitivo e daí surge a preocupação dos europeus. Se por um lado somos competitivos no agro, os alemães o são na indústria de ponta, por isso, o acordo deve possuir mecanismos de equilíbrio e compensação, a fim de se evitarem distorções econômicas.

 

Os blocos 

O Mercosul é um bloco que parou no tempo. Desde o Tratado de Assunção, nunca houve, por exemplo, uma revisão das tarifas para maior competitividade do bloco. Além disso, o Mercosul nunca atingiu os estágios de integração pretendidos no seu tratado originário. Em que pese alguns especialistas o tratem como uma união aduaneira imperfeita, é questionável até mesmo se o bloco realmente conseguiu implantar uma área de livre comércio entre as suas economias, que eventualmente fazem ajustes tarifários para compensações, afastando o bloco do livre comércio, de fato. A Tarifa Externa Comum, que é o instituto que garante a relativa competitividade do Mercosul com outras economias, não recebeu uma revisão substancial desde a criação do bloco, reduzindo assim a competitividade global. Logo, o acordo entre Mercosul e UE, reúne, de um lado, um bloco frágil e com questionável competitividade, que ainda não atingiu uma integração satisfatória, com, do outro lado, um bloco já bem assentado, que atingiu o último estágio de integração (moeda e política). A questão é que a emergência da guerra na Ucrânia e a consequente dependência energética da Rússia foram gatilhos para a deterioração econômica europeia, restando recorrer aos acordos econômicos marginais, entre eles, com o Mercosul.

 

O Acordo 

Se implantado o acordo, após todos os trâmites e considerando a gradual modificação tarifária entre as partes, que levará tempo, sem a garantia de remoção total dos impostos de importação, provavelmente haveria um incremento de 0,5% no PIB brasileiro, na visão mais otimista. Nos próximos dias e meses, a França tentará buscar aliados, principalmente países europeus com grande população, para barrar a aprovação no parlamento europeu. O lobby de produtores, não é só francês, e ainda países europeus que não se posicionaram efetivamente sobre o acordo. Mesmo se for efetivado, a conjuntura internacional está muito volátil, com desdobramentos cada vez mais incertos, de guerras às narrativas nucleares. Haveria um tempo de ajuste considerável entre as economias e esta dinâmica que colocaria o agro brasileiro em posição relativamente favorável enquanto a indústria em um cenário de incerteza, mesmo com as salvaguardas transitórias da indústria automotiva. A etapa de aprovação pelo parlamento europeu será complexa, envolvendo muitos interesses difusos. A ver se Macron conseguirá aliados. 


Gostou? Compartilhe