OPINIÃO

Teclando - 10/09/2025

Delicadezas e indelicadezas

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Delicadezas e indelicadezas

Em nosso percurso terrestre encontramos delicadezas e indelicadezas. O filme “Delicadezas”, do talentoso Jorge Alberto Salton, cumpriu o papel de acordar minha ternura. Porém, seu roteiro traz dois conteúdos simultâneos e, assim como o cotidiano, também tem narrativas emaranhadas. Ainda com o pensamento nas delicadezas absorvidas da tela, logo em seguida enfrentei as indelicadezas da vida.

O filme de arte é carregado de insights e, em indissociável analogia, atiça percepções para o cotidiano. Os sopros de delicadezas deram sustentação para flutuar em devaneios, mas, na realidade, persistem seres que ainda pensam em um nível inferior. A trilha sonora do filme, no mesmo tom das mais amáveis delicadezas, ficou na memória provocando um sorriso prazeroso. Porém, na inevitável troca para o enredo cotidiano, a delicadeza que me acompanhava evaporou. Deu lugar à indelicadeza, que pode surgir do despreparo, má-intenção, ignorância ou falta de decoro.

De volta às Delicadezas, vi com entusiasmo o talento de Yasmin Hermann que irradiou a mais natural delicadeza. Troca de cenário, a indelicadeza para com meus 50 anos de profissão soa como ingratidão. Já para uma instituição com 100 anos é, no mínimo, desrespeito. As condutas nada delicadas são o encaixe ao personagem de Márcio Meneghell, quando o teatro é parte do filme. Pura ousadia, tento fazer o mise en abyme sem a habilidade do roteirista Jorge Salton.

E, assim, chego ao final de duas histórias que se complementam e me sensibilizaram. Delicadezas termina com um lindo gesto de etiqueta social na mais pura delicadeza infantil, produz sorrisos e olhos marejados. Já, após o episódio de indelicadeza, o decoro corroído deixou um nó na garganta e produziu tristeza. Ora, a delicadeza transcende a dignidade enquanto a indelicadeza é um espinho para a civilidade. Enfim, se a arte imita a vida e vice-versa, espero que Delicadezas reeduque indelicados remanescentes.

Agronomia

O querido amigo Carlos Oberdan Vieira, que todos conhecem como Bibi, me passou a informação sobre a festa de sua turma de agrônomos graduados pela UPF. O encontro de 54 anos dos formandos acontece em 4 de outubro. A festa será no Clube Jangadeiros, em Porto Alegre. A Turma Agronomia 1971 foi a primeira após o MEC oficializar o curso da Universidade de Passo Fundo. Dos 36 formandos de 1971, 19 já não estão mais entre nós. O paraninfo da turma foi o ministro da Agricultura da época, Luiz Fernando Cirne Lima. De acordo com Bibi, o paraninfo, hoje com 92 anos, estará no encontro. Dúvidas e mais informações pelos contatos (54) 99194-4143 e (51) 98201-4539.

PAPI

O Aeroporto Lauro Kortz, mesmo após obras de melhorias, ainda sofre com alguns problemas crônicos. O mais emblemático (ou seria ridículo?) é o relacionado ao PAPI da cabeceira 09. Esses dias, uma aeronave do GEIV - Grupo Especial de Inspeção em Voo, esteve em Passo Fundo para aferir o equipamento. Isso indica que, finalmente, a instalação do conjunto de lâmpadas teria passado por um conserto. Agora, de olho nas publicações do AISWEB, verifiquei que até ontem (09) à tarde permanece o indicativo de inoperante. Que novela. Será que não conseguiram emendar direitinho os fios que conectam a Sala Rádio ao equipamento? E dizer que o PAPI é, basicamente, um conjunto de lâmpadas. Um dia, brilha!

Doentes

Não gosto de falar sobre o chiqueiro alheiro. Porém, quando o ímpeto sanguinário se sobressai aos mais simples sentimentos de fraternidade, há algo podre. Quem gosta de guerra aplaude a morte. Isso é, inegavelmente, uma doença mental.

Centenário

Cem anos e 83 dias. Números que, no mínimo, exigem muito respeito.

Pastelaria

O mau cheiro da pastelaria aqui embaixo também é uma indelicadeza fedorenta.

Trilha sonora

Chico Buarque - Construção


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