Uma guerra que provavelmente tende a se estender por quase quatro anos, ou muito mais. Tudo dependerá das disposições russa e ucraniana em aceitarem termos factíveis para um cessar-fogo duradouro que possa ser eficaz à condução de uma paz relativa na região, hábil para acalmar os ânimos europeus, aflorados em um cenário de inúmeras variáveis e incógnitas. As últimas propostas de cessar-fogo foram intermediadas pelos EUA, em uma versão de 28 pontos e outra, pela Europa. Pela primeira vez, ambas convergiram na utilização dos ativos russos congelados no processo de reconstrução ucraniana, que possui muitos desafios e, entre eles, demográficos e de natalidade. A proposta europeia foi enfática também na questão das crianças ucranianas sequestradas, um grande dilema moral e crime contra a humanidade, esquecido por algumas potências e inclusive pela mídia de esquerda. A última reunião com o enviado de Trump [Witkoff] a Moscou durou mais de cinco horas e não resultou em qualquer concretude. Enquanto isso, no campo de batalha, os ataques seguem. Para o Kremlin, alguns pontos são “inaceitáveis”.
Os 28 pontos e a atualização
A proposta de cessar-fogo feita por Washington, ainda em novembro, trouxe uma série de questionamentos por parte dos europeus e da Ucrânia. As polêmicas mais acentuadas estavam vinculadas à questão dos territórios, garantias de segurança e a desistência futura da adesão ucraniana à OTAN (pontos que beneficiariam a Rússia). O encontro mais recente do enviado de Trump já é o sexto. Na ânsia de cessar a guerra, Trump tem pressionado Putin, inclusive com ameaças de maiores sanções econômicas, inclusive aos países importadores de petróleo da Rússia, para inviabilizar a pequena economia russa. A Rússia tem feito alguns avanços territoriais recentemente.
Escalada com a Europa
Depois de ter invadido o espaço aéreo de alguns países europeus, em flagrante provocação, com drones, muito provavelmente para testes prévios de defesa antiaérea e demais questões estratégicas, Putin recentemente advertiu os europeus [invertendo a narrativa], chegando a dizer que, se a Europa deseja a guerra, a Rússia irá derrotá-la. Putin discorda em grande parte das propostas europeias para um cessar-fogo, enquanto a Europa busca se reafirmar geopoliticamente com maiores orçamentos em defesa de seus países, temerosos com o alastramento de uma guerra no continente europeu. O atual conflito entre a Rússia e a Ucrânia é o mais mortal desde a Segunda Guerra Mundial. A guerra de atrito inviabilizou as estratégias de Putin, a quem agora só resta estender ao máximo, em termos de exaustão, algumas conquistas territoriais pontuais, sem avanços consideráveis para o tamanho de suas forças armadas, cujos combatentes têm morrido em números substanciais no campo de batalha. Putin chegou a dizer que a guerra contra a Ucrânia é “cirúrgica”, mas, no caso europeu, não seria, estabelecendo mais uma de suas ameaças soviéticas. O Kremlin tem colocado a culpa nos europeus, principalmente, pela não conclusão de um cessar-fogo. Trump, por seu turno, quer acabar o quanto antes com a guerra, como mais um trunfo de seu mandato, mas, em alguns momentos, tem perdido a paciência com as conversas intermináveis com Moscou, que descambam mais para uma proposta de rendição ucraniana do que um cessar-fogo, de fato.

