OPINIÃO

Conjuntura Internacional

Por
· 2 min de leitura
Você prefere ouvir essa matéria?
A- A+

Ao lançar a sua mais recente versão de Estratégia de Segurança Nacional, o governo Trump e sua política externa fazem um realinhamento de seus renovados interesses nacionais, estando o hemisfério [aqui fazemos alusão praticamente às Américas]. O nível de comoção de alguns "especialistas" e da mídia de esquerda foi imediato: imperialismo americano! Entre outros chavões carentes de qualquer precisão ou comparação relativa. Qualquer pessoa mais informada ou que já teve, mesmo que mínimo, um contato com documentos de política externa sabe que, em sua maioria, e levando em consideração as grandes potências, são documentos superlativos em diversos termos. A Rússia, por exemplo, quer ser um Império Euroasiático [e começou esse esforço, invadindo ilegalmente, sem justa causa, a Ucrânia, a fim de levar a cabo seu plano de expansão territorial]. A China também quer ser um Império e, neste momento, reclama todo o Mar do Sul da China para si, incluso o mar territorial de muitos países ribeirinhos [claramente invadindo a soberania deles], enquanto constrói uma das maiores Marinhas de Guerra do mundo e um célere programa nuclear. No contexto das Américas, é necessário ressaltar que Joe Biden entregou a América Latina de bandeja para a Rússia e a China, que transformaram alguns de seus países em verdadeiros protetorados, incluso a Venezuela, cujo Maduro até pouco tempo era um fantoche. Drogas circulando sem controle, petroleiros levando cargas para o Irã [...]. Países estavam recebendo inclusive pontos de avanço militar chinês e entregando recursos estratégicos.

Estratégia de Segurança Nacional

Lançada ainda em novembro, anunciada recentemente, a política traz um novo realinhamento dos interesses nacionais do país e as ameaças que consideram relevantes no presente momento, entre elas o tráfico internacional desenfreado de drogas e a migração ilegal internacional massiva, que têm levantado riscos à segurança nacional americana, conforme o documento. A primeira pergunta do documento é sobre o que os EUA querem: a sua independência, soberania e os [direitos naturais dados por Deus], bem como a defesa de seus interesses nacionais. Lula e Amorim mal sabem o que é isso, principalmente quando falamos em interesses nacionais, que são substituídos por suas volições temporárias ideológicas da década de 1990. Segue o fim do "soft power" [poder cultural] que não esteja vinculado com os interesses nacionais. A partir de um "corolário Trump", querem um hemisfério seguro, com liberdade de navegação em linhas cruciais (extensíveis às democracias da região), a eliminação do crime transnacional [há operações em curso nesse sentido], o combate aos principais cartéis de drogas, a começar pelo cartel liderado por Maduro, que foi designado como terrorista, inclusive. O movimento segue um princípio clássico da balança de poder. Biden, ao deixar as Américas à deriva, impeliu que os EUA mudassem seu pivot estratégico da Ásia e do Oriente Médio para o Hemisfério Ocidental. Alguém esperava algo diferente? O recado é militarmente mais que simbólico à China, à Rússia e até mesmo ao Irã: esse espaço é tratado como área de interesse prioritário, e não mais como um laboratório para suas experiências, muitas delas ilegais. Às vezes, a paz é trazida pela força, o que Raymond Aron chamava de Paz de Hegemonia, quando uma nação, pelo uso da força, estabelece alguma ordem ou paz.

Gostou? Compartilhe