OPINIÃO

A origem de Jesus

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O Natal está próximo. O tempo litúrgico do Advento proporcionou fazer a memória

das promessas sobre a vida do Messias, sobre sua identidade e missão. O evangelho do 4º

domingo do Advento responde sobre “a origem de Jesus Cristo”, segundo o evangelista

Mateus. (Isaías 7,10-14; Salmo 23, Romanos 1,1-7 e Mateus 1,18-24). O evangelista Lucas

ressalta mais Maria e Mateus acentua a participação de José. As narrações não são

contraditórias, mas complementares. Maria e José cooperaram ativamente no plano salvador

de Deus.

Mateus começa o Evangelho com uma genealogia, desde Abraão até José, ressaltando

a humanidade de Jesus Cristo. A seguir, argumenta sobre a origem divina de Jesus: Maria

“estava grávida pela ação do Espírito Santo”. Portanto, o evangelista ensina, desde o início,

que Jesus Cristo é verdadeiramente Deus e homem.

“Maria estava prometida em casamento a José”. O casamento dos judeus, naquela

época, acontecia em dois momentos distintos. O noivado durava um ano e já era um vínculo

jurídico que comprometia as partes, mas continuavam vivendo na casa dos pais. Passado um

ano realizava-se o casamento e o casal passava a conviver. “Antes de viverem juntos, Maria

ficou grávida pela ação do Espírito Santo”. Situação que configura ruptura do noivado,

deixando José numa situação delicada e obrigando-o a tomar uma decisão de repúdio ou de

condenação pública de Maria.

Porém, “José, seu marido, era justo”. Caracterizar José como justo é apresentar um

retrato completo da sua pessoa e, ao mesmo tempo, inseri-lo entre as grandes figuras do

Antigo Testamento. No Novo Testamento, normalmente se resume a vida de uma pessoa

religiosa, como “fiel”. No Antigo Testamento o termo “justo” sintetiza o conjunto de uma

vida vivida em intenso contato com a Palavra de Deus, e que “encontra o prazer na Lei do

Senhor”. O justo é como a árvore plantada às margens das águas correntes produzindo frutos

continuamente, isto é, tem as raízes da sua existência na Palavra viva de Deus. Realiza a

vontade de Deus não como uma lei imposta a partir de fora, mas a vive numa abertura pessoal

e cheia de amor para com Deus, e assim aprende a compreendê-la e vivê-la a partir de dentro.

Isto o torna um homem feliz, bendito e cheio de esperança.

José sendo um homem justo pôde tomar uma decisão conforme a vontade de Deus em

relação a Maria. Enraizado na Palavra de Deus, José não fica no legalismo, mas vai ao amor.

Vive a lei como evangelho, procura o caminho da unidade entre direito e amor. E assim está

preparado interiormente para a mensagem nova, inesperada e humanamente inacreditável, que

lhe virá de Deus.

Ao filho adotivo, José dará o nome de Jesus, que significa, “O Senhor é Salvação”.

Desde o começo é dito qual será a missão de Jesus: “Ele salvará o seu povo dos seus

pecados”. O menino tem uma missão divina: salvar e perdoar pecados. Em vários momentos

da vida pública houve controvérsias sobre a messianismo de Jesus. Ele sempre afirmou que

veio salvar os pecadores.

O perdão é o fundamento da verdadeira cura do homem. O homem é um ser

relacional. Se fica perturbada a primeira relação fundamental do homem – a relação com Deus

– então nada mais pode estar verdadeiramente em ordem. É dessa prioridade que trata a

mensagem e atividade de Jesus. Ele quer, em primeiro lugar chamar a atenção do homem para

o cerne do seu mal, fazendo-lhe ver: se não estiveres curado nisso, então, apesar de todas as

coisas boas que possa encontrar, verdadeiramente não estarás curado.

Mateus acentua que tudo o que está acontecendo é cumprimento da profecia: “Eis que

a virgem conceberá e dará à luz a um filho. Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que

significa: Deus está conosco”. A prova maior do fato está nas Escrituras, é sustentado por ela

e toda ela é permeada pelo anúncio do Messias e toda ela apresenta as ações salvadoras de

Deus. Portanto, são as Escrituras que nos fazem compreender a origem de Jesus, sua

identidade e missão.

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